A relação médico-paciente na pediatria

A relação médico-paciente na pediatria

Considerando a grande demanda de atendimento à crianças e adolescentes, penso ser necessário abordar a importante relação do médico-paciente na pediatria. A maioria das crianças chegam à clínica de psicologia encaminhadas pelo pediatra.

Sabemos que a comunicação tem um papel crucial na prática da medicina, principalmente na pediatria. Alguns pesquisadores restringiram sua análise à interação materna com relação à consulta e a díade mãe/médico.  Não temos dúvidas que os pais tem um importante papel na consulta pediátrica em função do convívio diário e das informações sobre o estado de saúde de seus filhos.

Todavia, o fato do médico do médico dirigir-se principalmente aos pai não deve ser entendido como desinteresse pelo que a criança pensa, reflete, principalmente, uma dificuldade dos médicos de abordá-las verbalmente ou, mesmo uma crença que elas podem não compreender suas explicações. Não divulgar as informações à criança é uma forma de preservá-la.

Segundo alguns estudos, a comunicação direta entre a criança e o médico contribui para melhorar a adesão ao tratamento, satisfação com o atendimento e melhor prognóstico. Pesquisas observacionais documentaram que as crianças têm interesse nas informações clínicas e retêm as informações melhor que os adultos. Programas para controle de enurese e encoprese apresentaram-se efetivos quando registraram a participação ativa da criança no tratamento. Inclusive a comunicação direta do médico com a criança, nas doenças crônicas como asma, diabetes e epilepsia, é avaliada como positiva pelos pais, resultando em maior satisfação parental e adesão aos esquemas de tratamento propostos pelo médico para os filhos. A participação direta da criança no controle da doença ocasiona uma mudança fundamental na sua qualidade de vida. Em primeiro lugar, os sintomas se tornam menos assustadores quando as crianças conhecem a fisiologia e a possibilidade de um bom prognóstico, a prevenção é mais fácil quando se conhecem os fatores que desencadeiam as crises.

O grau de escolaridade é outra importante que talvez influa nas explicações infantis sobre doenças. Possivelmente, crianças de séries mais adiantadas tenham uma melhor compreensão de causalidade de ciências que aborda a fisiologia humana e os cuidados com a saúde.

Todavia, a dinâmica interativa médico/criança/mãe nem sempre é fácil.  No geral os pediatras parecem se identificar mais com a criança, com o qual mantém uma interação mais calorosa do que com as mães. Os estudos mostram que há momentos de embate, por exemplo, quando a  mãe descreve os sintomas de forma não satisfatória, é prolixa ou é considerada ” má informante”.

Segundo Tates e cols (2002), nota-se um esforço crescente da pediatria para envolver a criança na interação, dirigindo-lhe o olhar e formulando perguntas diretas. A interação afetiva e amistosa cria uma boa relação interpessoal. Assumir a função de lidar com os aspectos dinâmicos, trouxe uma tarefa a mais para os profissionais da saúde, para a qual nem sempre estão preparados, já que as habilidades comunicativas com crianças raramente fazem parte do currículo de medicina e enfermagem. Uma das tarefas é instrumentar os profissionais a lidar com os recursos dinâmicos e comunicativos, levando em conta a idade e o desenvolvimento do paciente. No entanto, a pouca participação da criança não resulta, apenas, da habilidade do médico em conversar com elas, mas depende, do contexto social mais amplo, onde há um jogo de poderes entre diferentes participantes, à idades, ao gênero, às classes sociais, que se reflete na estruturação dos serviços de saúde e até nas políticas públicas.

Referência bibliográfica:

CREPALDI, M.; LINHARES, B.; organizadoras. Temas em psicologia pediátrica – São Paulo: Casa do Psicológo, 2006. p. 57.

Os números de 2011

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 120.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Yoga para crianças

Yoga para crianças

A última edição da Revista Vida Simples ( ed. 112, Dezembro de 2011) trouxe uma matéria interessante  sobre ” Ioga para menores”, discutindo como a prática ensina as crianças a lidarem melhor com as emoções desde cedo. Como tenho buscado conhecer melhor essa prática e seus benefícios, resolvi pesquisar um pouco mais para publicar este post.

Segundo a matéria da Vida Simples, a procura pela yoga infantil tem aumentado a cada ano e atrai os pequenos porque as aulas são incrivelmente lúdicas. Um ganho um importante para as crianças é que a yoga estimula a consciência corporal através dos gestos e posturas, trabalhando a psicomotricidade, a coordenação motora e lateralidade, aponta a pedagoga e professora de Yoga, Vania Lucia Slavero de Curitiba.

O Yoga é recomendado para pessoas de todas as idades, uma vez que a sua prática além de trabalhar o corpo e a mente, promove também o desenvolvimento do indivíduo em todas as suas dimensões. Postura correta; capacidade de respirar profundamente; atenção e concentração reforçadas; mente alerta, consciente e criativa e uma atitude positiva perante a vida são benefícios preciosos que a prática regular proporciona, dotando a criança de instrumentos que a ajudam a descobrir um espaço interior harmonioso e equilibrado, e que se revelará uma componente essencial de sua identidade e personalidade. A prática do Yoga é importante e faz diferença na qualidade de vida dos pequenos, ensinando-os a relaxar, trabalhando a concentração e acalmando os movimentos.Mais centrada e calma, a quietude transforma a criança através dessa atividade física gentil, em uma pessoa que não vai ser estimulada pela competição desenfreada e catastrófica dos tempos atuais, comenta a professora de Yoga Suyanne Cid.

Confira os benefícios apontados pela prática da Yoga:

- Trabalha o tônus muscular, a postura corporal, o equilíbrio e a coordenação motora;

- Equilibra o sistema nervoso,endócrino e imunológico,

- Melhora a circulação sanguínea e reforça o aparelho respiratório;

- Promove o crescimento emocional e a capacidade de resistência;

- Aumenta a capacidade de relaxamento;

- Preserva e estimula a flexibilidade, a vitalidade, a imaginação, a criatividade, o sentido estético e a intuição;

- Desenvolve a iniciativa, a capacidade de ação, a autoconfiança, a disciplina, a concentração e a atenção;

- Amplia a autoconsciência do corpo e da mente da criança, bem como do mundo que a rodeia;

- Estimula a empatia, a cooperação e promove a consciência ecológica.

- Prática lúdica visando melhoria da atenção, concentração, capacidade respiratória, criatividade, alegria e calma.

Quando meu filho pode praticar o yoga?

As experiências do yoga com crianças dizem que a melhor idade para que elas comecem com os exercícios do yoga é a partir dos 4 anos. Alguns especialistas apontam que a melhor idade é a partir de 6 anos.  Nesta idade, as crianças já podem entender perfeitamente o que se pode esperar e o que se quer delas. O yoga está indicado a todos os meninos e meninas. Seu objetivo essencial é a busca do equilíbrio e da harmonia, e o controle do sentido da disciplina. É uma boa base para uma vida adulta alegre e saudável.

Enfim, eu sugiro que caso você tenha interesse em matricular seu filho na yoga, busque maiores informações com o profissional qualificado.

Referências bibliográficas:

www.guiainfantil.com.br

http://www.mandalayoga.com.br/yoga-para-criancas

www.revistavidasimples.com.br

http://www.namaskaryoga.com.br/

A modificação do temperamento na infância

A modificação do temperamento na infância

Na infância, a relação entre o ser humano integral e o temperamento é estabelecida de modo um pouco diverso. Surge aqui certo deslocamento a ser observado pelos profissionais envolvidos no desenvolvimento e cuidado da criança.

Podemos iniciar pela criança melancólica, suas formas do rosto têm traços delicados, o nariz e a boca são bem formados. Nos olhos talvez evidencie mais um olhar um pouco pensativo, reflexivo.

Em toda a beleza de tal criança nota-se, um amadurecimento precoce. Na criança melancólica, a personalidade humana se manifesta extremamente cedo.  Frequentemente se constatará que são crianças de um corpo frágil, tendem mais ao melancólico. Seus traços são formados mais rapidamente, o nariz recebe mais cedo sua forma e a boca perde logo seu contorno infantil arredondado. Contudo, percebe-se que se trata de um desenvolvimento instalado  muito cedo, o que naturalmente pode ter suas grandes desvantagens. O temperamento melancólico de uma criança desafiará especialmente o educador a harmonizar os temperamentos, a fim de não se desenvolver uma unilateralidade muito grande. No melancólico, o eu da criança interfere muito fortemente no elemento ” terra”, para poder, já muito cedo, moldar aí sua forma substancial.

A criança colérica mostra apenas de leve, nas formas do rosto e do restante do corpo, o que no adulto se evidencia claramente. Em geral ela possui uma cabeça grande, com uma testa bem desenvolvida; tudo, porém ainda tende mais ao arredondamento: é comum inexistirem ângulos acentuados, ou, caso já existam, são atenuados e leves. Isto se aplica pronunciadamente ao nariz, cuja forma só se define após a puberdade. As narinas redondas são nitidamente notáveis. A ampla forma da boca e do queixo só se delineia lentamente, vindo a mostrar-se de todo apenas depois dos doze anos. Em relação aos membros, o tronco se desenvolve prematuramente, para desvantagem daqueles; os braços e as pernas são portanto, muito curtos em comparação com o tórax. Essas crianças, quando sentadas, parecem maiores do que na realidade são ao ficar de pé. O andar se aproxima do andar do colérico adulto precocemente, portanto, a criança tende a pisar forte com os calcanhares. Logo se revelará algo de fogoso, algumas vezes quase vulcânico. Talvez seja até acometido de acessos de choro, ficando a se lamentar ainda por longo tempo. Em tais situações, uma irrefreada força volutiva ascende das profundezas corpóreas. Quando uma criança colérica quer brincar ou vê algo que deseja possuir, enfurece-se com facilidade quando suas intenções são logo impedidas de realizar-se. Até os nove anos de vida, os sentimentos desempenham ainda um papel relativamente pequeno, permanecendo ancorado no elemento instintivo. Na adolescência, o sentir é fortemente dirigido pelo impulso instintivo caso a educação não tenha lhe preparado. O despertar da atividade artística bem como a educação trabalhando nesse rumo, são possibilidades de afastar as tendências explosivas e insensatas. A vida anímica do homem (seu pensar, sentir e querer) só é ordenada e harmonizada no decorrer de uma longa evolução de três decênios.

 

A criança sanguínea parece significativamente mais harmônica do que a da colérica. Nela não costumam aparecer contrastes marcantes, capazes de provocar tanto acessos como explosões emocionais.  O que chama a atenção na criança sanguínea é a rapidez com que tanta coisa ocorre. Ela não pisa firme com os pés; saltita pela rua e interessa-se por tudo. Tudo é percebido com rapidez, porém igualmente esquecido depressa. O bem-estar dessa criança depende do ambiente em que ela vive. Tanto calor quanto frio, claridade e escuridão influenciam-na imediatamente. A disposição depende, ainda mais do que nos outros temperamentos, de ela estar satisfeita ou faminta, de a digestão transcorrer bem ou mal. Pode-se notar que o elemento móvel desempenha um grande papel junto a ela, mas existe uma diferença entre o sanguíneo adulto e o infantil. Na criança sanguínea se espelha a mobilidade de seus processos vitais: o modo como o ar é respirado e flui aos pulmões, como os sulcos digestivos perpassem os intestinos  e como se prepara o anaolismo do corpo. Essas crianças se tornam cobiçosas e famintas à mesa, servem-se rapidamente, calam-se e saboreiam o que lhes é oferecido.

Fica compreensível, porque a própria infância tende ao temperamento sanguíneo.

Igualmente interessante é o temperamento na criança fleumática, tudo o que se relaciona com a substância sólida é bem acentuado. A criança fleumática costuma superar as outras crianças também em peso. Em seu caso, acontece que a alimentação “cai bem”, ela gosta muito de comer e beber, acumulando, naturalmente, gordura com facilidade. Por causa do peso, os fleumáticos tendem a aprender a andar tarde. Só lentamente é que eles se decidem a superar a gravidade terrestre. Mas existem dois tipos de crianças fleumáticas: as primeiras são as fleumáticas naturais, roliças, bebês contentes, sempre dispostos a receber alimento sem que se tenha que obrigá-los a comer. As outras, são aquelas crianças que tiveram seu temperamento impingido de modo artificial, por meio da alimentação, vítimas de alimentação incorreta. Recebem leite excessivamente adicionado tanto de gordura quanto de farinha como ingrediente prematuro e demasiado. Em idade precoce, recebe caldos de carne, o que provoca uma indolência orgânica. Embora recebam destaque como ” bebês premiados” em robustez, não oferecem aspecto agradável. As bochechas parecem disformes e o ser sucumbe às forças da gravidade, não conseguindo superá-las adequadamente.

Com esta apresentação dos temperamentos infantis, mostramos que é importante, tanto para a educação quanto para os profissionais envolvidos com a criança, a correta compreensão dos fatores orgânicos condicionantes do temperamento infantil que se poderão tomar medidas pedagógicas adequadas.

Referência Bibliográfica:

GLAS, Norbert. Os temperamentos: a face revela o homem. 5 ed. São Paulo: Antroposófica.