Na infância, a relação entre o ser humano integral e o temperamento é estabelecida de modo um pouco diverso. Surge aqui certo deslocamento a ser observado pelos profissionais envolvidos no desenvolvimento e cuidado da criança.
Podemos iniciar pela criança melancólica, suas formas do rosto têm traços delicados, o nariz e a boca são bem formados. Nos olhos talvez evidencie mais um olhar um pouco pensativo, reflexivo.
Em toda a beleza de tal criança nota-se, um amadurecimento precoce. Na criança melancólica, a personalidade humana se manifesta extremamente cedo. Frequentemente se constatará que são crianças de um corpo frágil, tendem mais ao melancólico. Seus traços são formados mais rapidamente, o nariz recebe mais cedo sua forma e a boca perde logo seu contorno infantil arredondado. Contudo, percebe-se que se trata de um desenvolvimento instalado muito cedo, o que naturalmente pode ter suas grandes desvantagens. O temperamento melancólico de uma criança desafiará especialmente o educador a harmonizar os temperamentos, a fim de não se desenvolver uma unilateralidade muito grande. No melancólico, o eu da criança interfere muito fortemente no elemento ” terra”, para poder, já muito cedo, moldar aí sua forma substancial.
A criança colérica mostra apenas de leve, nas formas do rosto e do restante do corpo, o que no adulto se evidencia claramente. Em geral ela possui uma cabeça grande, com uma testa bem desenvolvida; tudo, porém ainda tende mais ao arredondamento: é comum inexistirem ângulos acentuados, ou, caso já existam, são atenuados e leves. Isto se aplica pronunciadamente ao nariz, cuja forma só se define após a puberdade. As narinas redondas são nitidamente notáveis. A ampla forma da boca e do queixo só se delineia lentamente, vindo a mostrar-se de todo apenas depois dos doze anos. Em relação aos membros, o tronco se desenvolve prematuramente, para desvantagem daqueles; os braços e as pernas são portanto, muito curtos em comparação com o tórax. Essas crianças, quando sentadas, parecem maiores do que na realidade são ao ficar de pé. O andar se aproxima do andar do colérico adulto precocemente, portanto, a criança tende a pisar forte com os calcanhares. Logo se revelará algo de fogoso, algumas vezes quase vulcânico. Talvez seja até acometido de acessos de choro, ficando a se lamentar ainda por longo tempo. Em tais situações, uma irrefreada força volutiva ascende das profundezas corpóreas. Quando uma criança colérica quer brincar ou vê algo que deseja possuir, enfurece-se com facilidade quando suas intenções são logo impedidas de realizar-se. Até os nove anos de vida, os sentimentos desempenham ainda um papel relativamente pequeno, permanecendo ancorado no elemento instintivo. Na adolescência, o sentir é fortemente dirigido pelo impulso instintivo caso a educação não tenha lhe preparado. O despertar da atividade artística bem como a educação trabalhando nesse rumo, são possibilidades de afastar as tendências explosivas e insensatas. A vida anímica do homem (seu pensar, sentir e querer) só é ordenada e harmonizada no decorrer de uma longa evolução de três decênios.
A criança sanguínea parece significativamente mais harmônica do que a da colérica. Nela não costumam aparecer contrastes marcantes, capazes de provocar tanto acessos como explosões emocionais. O que chama a atenção na criança sanguínea é a rapidez com que tanta coisa ocorre. Ela não pisa firme com os pés; saltita pela rua e interessa-se por tudo. Tudo é percebido com rapidez, porém igualmente esquecido depressa. O bem-estar dessa criança depende do ambiente em que ela vive. Tanto calor quanto frio, claridade e escuridão influenciam-na imediatamente. A disposição depende, ainda mais do que nos outros temperamentos, de ela estar satisfeita ou faminta, de a digestão transcorrer bem ou mal. Pode-se notar que o elemento móvel desempenha um grande papel junto a ela, mas existe uma diferença entre o sanguíneo adulto e o infantil. Na criança sanguínea se espelha a mobilidade de seus processos vitais: o modo como o ar é respirado e flui aos pulmões, como os sulcos digestivos perpassem os intestinos e como se prepara o anaolismo do corpo. Essas crianças se tornam cobiçosas e famintas à mesa, servem-se rapidamente, calam-se e saboreiam o que lhes é oferecido.
Fica compreensível, porque a própria infância tende ao temperamento sanguíneo.
Igualmente interessante é o temperamento na criança fleumática, tudo o que se relaciona com a substância sólida é bem acentuado. A criança fleumática costuma superar as outras crianças também em peso. Em seu caso, acontece que a alimentação “cai bem”, ela gosta muito de comer e beber, acumulando, naturalmente, gordura com facilidade. Por causa do peso, os fleumáticos tendem a aprender a andar tarde. Só lentamente é que eles se decidem a superar a gravidade terrestre. Mas existem dois tipos de crianças fleumáticas: as primeiras são as fleumáticas naturais, roliças, bebês contentes, sempre dispostos a receber alimento sem que se tenha que obrigá-los a comer. As outras, são aquelas crianças que tiveram seu temperamento impingido de modo artificial, por meio da alimentação, vítimas de alimentação incorreta. Recebem leite excessivamente adicionado tanto de gordura quanto de farinha como ingrediente prematuro e demasiado. Em idade precoce, recebe caldos de carne, o que provoca uma indolência orgânica. Embora recebam destaque como ” bebês premiados” em robustez, não oferecem aspecto agradável. As bochechas parecem disformes e o ser sucumbe às forças da gravidade, não conseguindo superá-las adequadamente.
Com esta apresentação dos temperamentos infantis, mostramos que é importante, tanto para a educação quanto para os profissionais envolvidos com a criança, a correta compreensão dos fatores orgânicos condicionantes do temperamento infantil que se poderão tomar medidas pedagógicas adequadas.
Referência Bibliográfica:
GLAS, Norbert. Os temperamentos: a face revela o homem. 5 ed. São Paulo: Antroposófica.
Ei, Lu. Gostei da matéria. Identifiquei a Sofia, como sanguinea. Se parece muito com ela. Até a foto da menina pulando na cama. Ela adora isso. Bjs. Ju.