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	<title>PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO</title>
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		<title>Jovens perversos e sem limites</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 17:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia e Educação]]></category>

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Onde foi que as famílias perderam a mão? O espancamento brutal de uma doméstica por garotos de classe média no Rio de Janeiro chocou o país e expôs uma geração que confunde violência com brincadeira e não tem noção de valores humanitários. Num artigo exclusivo, a psicoterapeuta LIDIA ARATANGY alerta: boa parte da encrenca [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=468&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fonte: <a href="http://claudia.abril.com.br/materias/2489/?sh=34&amp;cnl=46">http://claudia.abril.com.br/materias/2489/?sh=34&amp;cnl=46</a></p>
<p id="article_summary"><em><a href="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/11/j0422879.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-470" title="RF5060933" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/11/j0422879.jpg?w=300&#038;h=202" alt="" width="300" height="202" /></a>Onde foi que as famílias perderam a mão? O espancamento brutal de uma doméstica por garotos de classe média no Rio de Janeiro chocou o país e expôs uma geração que confunde violência com brincadeira e não tem noção de valores humanitários. Num artigo exclusivo, a psicoterapeuta LIDIA ARATANGY alerta: boa parte da encrenca começa em casa e a busca por soluções também.</em></p>
<p><strong>Abril, 1997</strong> &#8211; Em Brasília, três adolescentes jogam álcool e ateiam fogo num homem adormecido perto de um ponto de ônibus. O homem, Galdino, um índio pataxó que participava de um encontro indígena, não resistiu às queimaduras e morreu dias depois. Os jovens alegaram que era apenas uma brincadeira e que confundiram o índio com um mendigo.</p>
<p><strong>Fevereiro, 1999</strong> &#8211; Após uma festa de confraternização de calouros e veteranos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o calouro Edison Hsueh é encontrado morto dentro da piscina do Centro Acadêmico. Segundo o delegado que atendeu o caso, o mais provável é que ninguém tenha se disposto a ajudar o colega, que não sabia nadar e se afogou. Um faxineiro encontrou o corpo cerca de nove horas depois, na piscina escurecida pelo excesso de sujeira e cloro.</p>
<p><strong>Dezembro, 2005</strong> &#8211; Três universitários da PUC de Campinas são presos sob a acusação de dopar e estuprar uma colega.</p>
<p><strong>Junho, 2007</strong> &#8211; A empregada doméstica Sirlei Dias é roubada e espancada por cinco jovens de classe média do Rio de Janeiro. Os agressores alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.</p>
<p>Que brincadeiras são essas, em que alguns se divertem às custas de alguém que é humilhado, oprimido, machucado? Será que nossos jovens não aprenderam que brincadeiras têm de ser consentidas e proporcionar divertimento para todos os envolvidos? Caso contrário, deixam de fazer parte universo do lúdico para adentrar obscuro terreno da violência. Onde foi que as famílias erraram? Por que crianças educadas com todos os recursos e nos melhores colégios vestem a pele de marginais?</p>
<p>É tentador atribuir essa escalada da violência a fatores isolados, como a perda da autoridade paterna ou a dificuldade de diálogo entre gerações. Questões desse calibre, no entanto, não têm respostas lineares. Esses aspectos têm relação com a violência, mas nenhum, sozinho, seria suficiente para instalá- la e mantê-la. Ainda assim, não temos o direito de nos colocar alheios à busca de soluções, com a desculpa de que a compreensão de problemas complexos, como a violência urbana, está fora da nossa alçada. Não podemos negar que parte da encrenca origina-se dentro da nossa casa, no difícil convívio com os filhos adolescentes. A necessidade de se diferenciar dos pais e a importância de se sentir parte de outro grupo que não a família são fatores que dificultam a comunicação. A perplexidade dos pais diante das transformações dos filhos e sua impotência para impedir o afastamento deles colaboram para tornar difícil esse momento. A escola também tem sua cota de responsabilidade, já que nossos jovens passam grande parte do tempo sob sua guarda. Precisamos da aliança de todos os envolvidos (família, escola e comunidade) na formação das próximas gerações.</p>
<h2>O MELHOR E O PIOR</h2>
<p>O mais torpe e o mais sublime da natureza humana coexistem dentro de cada um de nós. Os sentimentos mais primários (ódio, inveja) convivem com os mais elevados (solidariedade, lealdade, compaixão). O que determina o caminho que essas potencialidades vão tomar são as possibilidades de transformação dos impulsos primários e a existência de canais adequados para dar vazão a eles. Cabe à família e à escola ajudar a criança a transformar os impulsos em comportamentos aceitáveis. E cabe à sociedade oferecer canais que direcionem esse fluxo a objetivos elevados. Essas variáveis combinam-se para que venha à tona o melhor ou o pior de cada um de nós.</p>
<p>A maioria dos adolescentes de classe média alta mora em condomínios fechados, cujos habitantes são parecidos, e freqüenta escolas onde só encontra reflexos da própria imagem. As crianças aprendem a desconfiar de qualquer um que se aproxime delas, percebem a aflição dos pais quando alguém os aborda pela janela do carro, compreendem desde cedo o significado das trancas que protegem suas casas. Muitas dessas defesas são necessárias, mas levam a um isolamento que alimenta a intolerância e tornam mais difícil desenvolver a solidariedade.</p>
<p><strong>VALORES DE PAIS PARA FILHOS<br />
</strong></p>
<p>O problema com a passagem dos parâmetros morais é que nossa crença nos valores se dá em termos abstratos, mas sua transmissão se faz nas miudezas do cotidiano &#8211; e muitos de nossos atos desmentem nossas palavras. Os pais querem que os filhos sejam íntegros, mas trapaceiam nos jogos para deixá-los ganhar, sob o pretexto de &#8220;estimular a auto-estima&#8221; (como se só o vencedor pudesse ter auto-estima). Com isso, além de transmitirem a mensagem de que a trapaça é válida, perdem a oportunidade de ensinar a criança a jogar (quem vai dar atenção às explicações de alguém que acaba de perder a partida?). Os pais querem que os filhos sejam responsáveis, mas permitem que eles vivam sob uma prática cotidiana que transforma a bagunça e a sujeira de seus quartos em limpeza e ordem &#8211; como se a mudança fosse obra de magia, e não resultado do esforço de um ser humano. Muitos pais confundem violência com capacidade de liderança: o filho rebelde &#8220;sabe o que quer&#8221;, &#8220;tem personalidade&#8221;. Outros ainda utilizam a força para punir ou coagir sem se dar conta de que, independentemente da intenção ou intensidade do castigo físico, ao dar um tapa numa criança, um adulto ensina que a violência é uma forma legítima de resolver um problema. Alguns pais, por não tolerar a frustração dos filhos, não colocam limites claros e coerentes. Esquecem que a frustração é parte da vida, e não uma falha no processo de desenvolvimento. Crianças que não aprendem a lidar com a frustração tornam-se impacientes e birrentas e tendem a transformar-se em adolescentes insatisfeitos, que não suportam o adiamento das satisfações.</p>
<p>A escola tem um papel importante. Cabe a ela traduzir as normas que regem o convívio humano e a bagagem cultural acumulada ao longo das gerações de modo que a criança possa compreendê-las e utilizá-las. Pelo professor passa mais do que informação: com base em sua postura na sala de aula, os alunos absorvem seu código de ética. Mas a responsabilidade da escola vai além: tudo o que se passa dentro de seus muros está sob seus cuidados. Apelidos maldosos e brincadeiras embaraçosas são exemplos de situações que acabam por transformar o ambiente escolar num palco de agressões. O professor, mesmo sem perceber, pode funcionar como aliado dos alunos mais fortes e integrados e ser conivente com a humilhação dos menos adaptados.</p>
<h2>ONDE NASCE O FANATISMO</h2>
<p>Para uma criança &#8211; sobretudo para um adolescente -, é vital ser aceito pelo grupo com o qual se identifica, ao mesmo tempo que os excluídos são ridicularizados e hostilizados. Esse processo reflete e alimenta os fanatismos e preconceitos (religiosos, esportivos, étnicos) do universo adulto. Sua manifestação mais extremada é o bullying (prática violenta em que um aluno se torna alvo de chacotas e agressões de colegas), mas esse comportamento era ignorado ou desvalorizado pelos professores e pais até que pesquisas revelaram as graves conseqüências que acarreta para as vítimas, os agressores e as testemunhas.</p>
<p>Os agressores impõem-se por meio da violência, e sua liderança sobre os colegas é garantida pelo medo. Se nada for feito para mudar a trajetória, serão adultos impulsivos, com comportamentos anti-sociais. A dificuldade em colocar-se no lugar do outro os torna candidatos a agressores de mulheres e abusadores de crianças. As vítimas são, geralmente, alunos inseguros que têm vergonha de queixar-se das ofensas e tendem a se tornar adultos deprimidos, com baixa auto-estima. Os espectadores, que até sentem simpatia pelos alvos, calam-se por medo de ser a próxima vítima ou por não saber como agir, mas percebem que sua omissão acoberta as agressões. Como terão se sentido, por exemplo, os colegas do calouro afogado? Quantos terão percebido o garoto se debatendo para alcançar a borda da piscina e não lhe estenderam a mão? Deve ter sido difícil o reencontro dos colegas no dia seguinte à tragédia. Fizeram um pacto de silêncio, como se fossem bandidos &#8211; quando, ao contrário, eram alunos de uma das melhores universidades do país e tinham escolhido uma profissão respeitada: queriam ser médicos e cuidar de pessoas doentes e frágeis.</p>
<p><strong>O GRANDE RISCO<br />
</strong></p>
<p>O maior perigo que ameaça nossos adolescentes não é a aids, o abuso de drogas nem a gravidez indesejada: é o cinismo. Se os jovens acreditarem que não têm nada a ver com o que acontece à sua volta, perderemos a chance de ter um mundo melhor. É na adolescência que se instala a capacidade de raciocínio abstrato; é o melhor momento para o compromisso com valores como a tolerância pelo diferente, o amor à justiça, o sentimento de solidariedade e compaixão. É a hora de encontrar canais adequados para a insatisfação e a rebeldia, de escolher um espaço de atuação onde a indignação diante das injustiças contribua para melhorar o mundo, em vez de aceitar que nele só os espertalhões levam vantagens.</p>
<p>Houve um tempo em que nos perguntamos que mundo deixaríamos para nossos filhos. Agora que aprendemos a cuidar melhor do planeta, o desafio está em preparar bem as mãos que herdarão a Terra. A complacência, a preguiça e a covardia não são bons parceiros nessa tarefa.</p>
<p><strong>Mas de quem você acha que é a culpa?</strong></p>
<p><strong>Deixe seu comentário.</strong></p>
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		<title>O que os pais dizem sem perceber os danos que causam&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 16:48:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As famílias alegam que, se cometem exageros, é por causa do stress e da correria. Mas os especialistas alertam que gritos, discursos críticos e profecias negativas têm um efeito devastador sobre as crianças e provocam até distúrbios psicológicos.

Por: PATRÍCIA ZAIDAN, GIEDRE MOURA E FERNANDA QUINTA

Em inúmeras casas, o dia começa assim: as crianças demoram para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=464&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p id="article_summary"><em>As famílias alegam que, se cometem exageros, é por causa do stress e da correria. Mas os especialistas alertam que gritos, discursos críticos e profecias negativas têm um efeito devastador sobre as crianças e provocam até distúrbios psicológicos.</em></p>
<div id="article_author">
<p>Por: PATRÍCIA ZAIDAN, GIEDRE MOURA E FERNANDA QUINTA</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-466" title="42-15654032" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/11/j04304641.jpg?w=500&#038;h=500" alt="42-15654032" width="500" height="500" /></p>
<p>Em inúmeras casas, o dia começa assim: as crianças demoram para acordar, depois se atrasam no banheiro e enrolam na mesa do café. Em cada etapa desse roteiro, a mãe vai elevando o tom de voz. Até que, quando os filhos entram no carro, ela  nota que não pentearam os cabelos. Aí, atrasada para o trabalho, ela berra. À noite tem nova sessão por causa da toalha molhada em cima da cama, do computador ligado até  tarde&#8230; Muitos pais não percebem, mas educam à base de brados. O futuro, nesses casos, não é muito  promissor. Um grito entra feito agulha. E fica. Assim como tapas e puxões de orelha na infância podem formar um adulto violento, a intimidação também produz distúrbios psicológicos. É tão prejudicial quanto a agressão física. A criança tende a resolver os impasses sempre berrando. Mais tarde, terá dificuldade para se expressar de forma equilibrada e será intolerante no trabalho, nas relações afetivas e sociais. Ou cairá no extremo oposto, no silêncio e na submissão.</p>
<p>Alessandra Dutra, mestra em psicologia social pela PUC de São Paulo, lembra o caso de uma paciente de 42 anos, empresária bem-sucedida, que não conseguia se realizar em envolvimentos amorosos. O desconforto diante dos homens teve origem num episódio que vivera aos 4 anos. Ela brincava com um carrinho enquanto o pai assistia a um telejornal. Ao passar na frente da TV, ouviu apenas uma palavra: &#8220;Saia&#8221;. A voz soou tão alta, rude e ameaçadora que a garota fez xixi ali mesmo. &#8220;Um grito pode provocar um trauma leve, moderado ou severo&#8221;, afirma a psicóloga. A empresária percebeu na terapia que a cena da infância havia causado dupla humilhação. Ao ouvir a repreensão desmedida, acreditou ter cometido um erro irreparável. Além disso, perdeu o controle e urinou na sala. Veio daí a dificuldade, de ouvir &#8220;não&#8221; por parte dos homens. Para evitar reações como a do pai, a empresária se mostrava submissa, temendo desagradar.</p>
<p>Para ver quanto os filhos se incomodam com a gritaria dos pais, basta dar um passeio pelo Orkut. Só a comunidade &#8220;Eu odeio quando minha mãe grita&#8221; tem 12 mil cadastrados, a maioria adolescentes. Em coro, eles reclamam: &#8220;Minha mãe não fala, só berra&#8221;. Mariana P., 17 anos, desabafa: &#8220;Nessas horas, me dá vontade de sumir. Já não sei mais o motivo. Antes era porque eu tinha de voltar cedo para casa. Agora, que não tenho saído, ela continua urrando sem parar, não entendo: TPM não pode ser, porque ela grita todo santo dia&#8221;.</p>
<h2>FALSAS VERDADES</h2>
<p>Para ferir, a frase não precisa ser dita em tom de voz elevado ou ter um conteúdo pesado. O que conta é a mensagem e a insistência com que ela é reprisada. Irineu Miano Júnior, psicólogo e diretor da escola Crianças em Convívio Tia Ana, em Itatiba (SP), compara a criança a uma folha de papel em branco. &#8220;O que os pais colocarem nesse papel será a verdade absoluta.&#8221; A razão é simples: a criança, até por volta dos 6 anos, vê o mundo pela ótica dos pais. As mensagens que transmitem são a base para ela construir a própria convicção. Miano Júnior nota que as famílias tendem a educar apontando os aspectos negativos. Se uma pessoa escuta, desde cedo, que ela não faz nada direito, acaba se sentindo incapaz de tomar decisões sozinha. Frases como &#8220;Você só tira notas baixas&#8221;, &#8220;É incompetente&#8221; e &#8220;Não será nada na vida&#8221;  levam a criança a acreditar que ela está fadada ao fracasso. O diretor aconselha os adultos a repensarem as expressões pejorativas e as frases de efeito devastador que deixam escapar. &#8220;Elas têm muita repercussão&#8221;, afirma. Tamara Santos Cruz, 12 anos, já incorporou uma característica que a sociedade despreza: a lentidão. &#8220;Sou mesmo meio lerda, faço as coisas muito mais devagar que os meus irmãos. Em casa, meu apelido era tartaruga.&#8221;</p>
<p>Algumas crianças se esforçam para desfazer os estigmas e superar as dificuldades supervalorizadas pelos pais. Se não conseguem, arrastam o rancor para a vida adulta. O diretor de cinema Woody Allen é um crítico desse modelo de educação. Seus filmes são pródigos em citações sobre estragos causados pelas &#8220;verdades&#8221; que os pais incutem nos filhos. <em>Em NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA</em>, Allen lembra: &#8220;Sol faz mal. Tudo que nossos pais disseram que era bom é ruim. Sol, carne vermelha, faculdade&#8230;&#8221;</p>
<h2>VEXAME TOTAL</h2>
<p>O adolescente tem mais repertório para reagir contra aquilo que ouve. Mesmo assim, sofre. Mara S., 14 anos, anda aborrecida com a mãe. &#8220;Não sei por quê, mas ela detesta as minhas amigas. Toda vez que volto de um encontro com as meninas, diz: &#8216;Você vai acabar vagabunda como elas&#8217;. Tem coisa pior do que ouvir isso da própria mãe?&#8221; A situação complica quando Mara vê a intimidade escancarada em público: &#8220;Menstruei pela primeira vez e minha mãe contou às minhas tias num almoço de família. Fiquei uma semana sem dirigir uma palavra a ela&#8221;. Segundo Miano Júnior, o que parece bobagem para os pais pode ser muito importante para os filhos. &#8220;Uma exposição assim provoca o afastamento e põe em risco o diálogo.&#8221; Com a quebra da relação de confiança, o filho deixa de se abrir e dividir alegrias. Há famílias que usam a platéia para dar lições. Acreditam que levar o filho ao vexame pode ser pedagógico. Não é raro encontrar mães que contam aos coleguinhas do filho de 5 anos que ele faz xixi na cama. Pais de adolescentes adoram entregar, em público, que o garoto deu uma pisada na bola. Não percebem, mas cutucam o brio, provocam a vergonha. Os filhos não gostam de ser expostos nem mesmo no triunfo. A revelação de que receberam medalha no futebol ou tiraram 10 soa como um mico impagável.</p>
<h2>CRÍTICAS PESADAS</h2>
<p>Depois de uma briga com a mãe, Ágata Moraes, 17 anos, saiu de casa pensando em nunca mais voltar. &#8220;Ela me critica o tempo todo por causa dos estudos, da bagunça do quarto, porque não ajudo a cuidar da minha irmã. Também sei dizer grosserias. Soltei uma e fui embora.&#8221; A garota passou a tarde inteira fora e concluiu que, embora a mãe tivesse razão em muitas coisas, tinha ido longe demais partindo para o insulto. A principal queixa dos adolescentes é que a crítica nunca vem sozinha: os pais firmam uma sentença antes de dar direito de defesa. Ágata tinha explicações para o desleixo em casa, mas não pôde conversar sobre o assunto.</p>
<p>Os pais alegam que o stress e a correria são os responsáveis pelos exageros que cometem. Ao chegar tarde do trabalho, sentem-se na obrigação de corrigir desvios de rota dos filhos. Agem, ainda, sob a tensão do mundo moderno, que expõe as crianças a inúmeros perigos. Os especialistas em comportamento compreendem as justificativas, mas alertam: não há processo da educação que se desenvolva numa torre de Babel. Nos anos 60, quando os castigos corporais foram condenados, a palavra ganhou força. A discussão tornou-se o foro dos entendimentos. Mas está desgastada e tem de ser reaprendida. &#8220;O ponto de partida para retomar o diálogo é a paciência&#8221;, diz Silvia Martinelli Derroualle, psicanalista especializada no atendimento de crianças e adolescentes. Para ela, uma comunicação menos agressiva só se estabelece quando os envolvidos entendem que estão irritados e que precisam se controlar antes de falar. &#8220;Se comparada à palmada, a palavra é muito mais difícil de segurar. No momento em que os pais perdem o controle, perdem também a razão&#8221;, analisa. Isso não significa que devem suspender as broncas. &#8220;Pelo contrário, a bronca justa tem o seu lugar&#8221;, afirma a professora de psicologia da PUC Isabel Kahn. &#8220;É função dos pais repreender, criar regras, negociar e até reconhecer o papel saudável da briga&#8221;, diz. Só não podem sair gritando e chutando o balde. No lugar do destempero, ela recomenda sinceridade para confessar: &#8220;Estou muito nervoso, vamos conversar mais tarde&#8221;. Se, depois de compreender tudo isso, os pais decidirem modular o tom da voz, um lembrete: o corpo também fala. E as crianças entendem essa linguagem. A professora de comunicação e semiótica da PUC Ana Alves Oliveira diz que não adianta apenas domar a língua. &#8220;Na intenção agressiva, a entonação, o olhar, os gestos e a postura corporal vão se revelar hostis. Se o sentimento é a raiva e as palavras são doces, o corpo irá mostrar a mentira.&#8221;</p>
<h2>Eu fiquei doente</h2>
<p><strong>Este depoimento, de uma jornalista que prefere se manter no anonimato, mostra até que ponto a ironia e a insensibilidade familiares podem detonar a auto-estima de uma garota</strong></p>
<p>Quando eu tinha 12 anos, meu pai, já separado da minha mãe, começou a namorar uma modelo de 17 anos, magrinha e bonita. Ele elogiava a amada o tempo inteiro. Eu também queria receber elogios, mas ele só falava nela. Passei a achar que só gente assim, enxuta, podia ter qualidades. Para piorar, sempre que ele viajava, trazia de presente roupas de números bem maiores que o meu. Eu ficava péssima. De tanto ouvi-lo falar, me convenci de que estava mesmo gorda, um monstro. Resolvi regime, um atrás do outro. Mas não conseguia perder peso e acabava comendo mais. Aos engordei 12 quilos. Minha mãe passou a me chamar de batatinha. Fiquei ainda mais. Tentava emagrecer, fazia jejum. Comecei a provocar o vômito. Com 16 anos, tomava laxante inibidores de apetite. Um ano depois, pesava apenas 45 quilos. Bem mais tarde, procurei tratamento, e hoje, aos 24 anos, a bulimia está controlada. Mas não digo que estou curada.</p>
<p><a href="http://claudia.abril.com.br/materias/2258/?pagina4&amp;sh=34&amp;cnl=48&amp;sc">http://claudia.abril.com.br/materias/2258/?pagina4&amp;sh=34&amp;cnl=48&amp;sc</a>=</p>
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		<title>Um Novo Jeito de Criar os Filhos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 20:31:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Orientação Educacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já imaginou que elogiar as crianças pode não ser a melhor forma de ajudá-las a se desenvolver? Ao fazer essa descoberta, dois jornalistas norte-americanos investigaram outros mitos relacionados à infância. O resultado foi Nurture Shock, um livro que traz um novo olhar sobre a educação dos filhos.
Como você se sentiu quando chegou com seu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=460&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="alignleft size-full wp-image-461" title="0,,31927506,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/11/03192750600.jpg?w=200&#038;h=300" alt="0,,31927506,00" width="200" height="300" />Você já imaginou que elogiar as crianças pode não ser a melhor forma de ajudá-las a se desenvolver? Ao fazer essa descoberta, dois jornalistas norte-americanos investigaram outros mitos relacionados à infância. O resultado foi <em>Nurture Shock</em>, um livro que traz um novo olhar sobre a educação dos filhos.</p>
<p>Como você se sentiu quando chegou com seu bebê em casa pela primeira vez? Com certeza, teve um frio na barriga e, insegura, se perguntou: o que eu faço agora? Partindo desse sentimento, os jornalistas Po Bronson (pai de duas crianças) e Ashley Merryman (que não tem filhos) escreveram <em>Nurture Shock: New Thinking About Children</em> (Um novo olhar sobre a educação das crianças, em tradução livre, ainda não lançado no Brasil). “Apesar de ‘nurture shock’ ser o termo usado para pais de primeira viagem, pensamos que essa insegurança pode ocorrer com qualquer pai quando se depara com algo para o qual não se sente preparado”, afirmam.</p>
<p>Mais do que escrever um manual, o objetivo dos autores foi reunir pesquisas sobre assuntos que todo pai tem de encarar em algum momento da vida de seu filho. O resultado foi uma obra que mexe com muitas das certezas das famílias. Para você ter uma ideia, a primeira descoberta deles foi como o elogio, em vez dar autoconfiança, acaba deixando a criança com receio de testar coisas novas. A partir dessa constatação, os jornalistas foram atrás de outros estudos e chegaram ao material reunido no livro. Na entrevista por e-mail à CRESCER, eles explicam os principais pontos.</p>
<div><strong>Elogiar pode ter efeito inverso</strong></div>
<p>A pesquisadora Carol Dweck, da Universidade de Stanford (EUA), avaliou o efeito de frases como “você foi muito bem na prova”, “como você é inteligente!” e descobriu que esse tipo de elogio produz um efeito contrário. As crianças passam a acreditar que o sucesso é algo inato – ou elas têm, ou não têm. O melhor a fazer, portanto, é elogiar o processo pelo qual a criança fez determinada coisa. Quando seu filho joga bem futebol, em vez de afirmar ”você é um grande atleta”, é melhor dizer “foi ótimo quando o outro time fez um gol e você não se abalou”, ou “gostei como você driblou aquele jogador”. Assim, a criança vai saber o que fez bem e, então, pensar em como repetir o feito da próxima vez.</p>
<div><strong>Menos stress em família</strong></div>
<p>Um pesquisador perguntou às crianças o que elas mudariam em seus pais. Os adultos esperavam que a resposta fosse “mais tempo”. No entanto, o que elas querem é que os pais estejam menos estressados durante os momentos que passam juntos.</p>
<div><strong>Ser honesto é o mais importante</strong></div>
<p>Ao considerar todas as pesquisas que investigamos, uma coisa se destacou o tempo todo: a importância dos pais serem honestos com seus filhos. É na tentativa de manipular as crianças que surgem os problemas: quando, por exemplo, brigam entre si, mas agem como se estivesse tudo bem na frente dos filhos. É um relacionamento baseado na confiança que sustentará seu filho na medida em que ele cresce.</p>
<div><strong>Esqueça a culpa por não fazer tudo certo</strong></div>
<p>Os pais não devem se sentir obrigados a seguir todo conselho que ouvem. O que precisam é perguntar de onde veio o conselho e qual a evidência que o sustenta: é algo que eu acho importante para educar meu filho? A maioria dos pais está fazendo o melhor que pode e com base no que têm à disposição: tempo, dinheiro, recursos ou know-how.</p>
<div><strong>Coloque o seu filho na cama mais cedo</strong></div>
<p>Os pais precisam considerar o sono dos filhos como questão de saúde. Quando repousa é que o cérebro da criança codifica o que ela aprendeu de dia. Dormir é essencial também para regular as emoções e o metabolismo. Se você não põe seu filho na cama para passar mais tempo com ele, precisa se perguntar: vocês estão interagindo? Ou você só deixou a TV ligada e não está prestando atenção à criança? Se esse for o caso, então ela deve, sim, ir para a cama.</p>
<div><strong>Converse sobre diferenças raciais com as crianças</strong></div>
<p>Elas podem não compreender os aspectos culturais, mas, desde bebês, enxergam diferentes cores de pele, de cabelo e de físico. As mais novas pensam que, se um colega se parece com ela, têm outras coisas em comum e poderão ser amigos – vai acontecer o contrário se for um colega com cor de pele diferente. Pesquisa da Universidade do Colorado (EUA) acompanhou 200 crianças (metade branca e metade negra) e constatou que, aos 3 anos, 86% delas escolheram amigos de sua própria raça. Por isso, é importante explicar ao seu filho que aparência é apenas o que está por fora.</p>
<div><strong>Lembre-se que nem tudo é apenas “bom” ou “ruim”</strong></div>
<p>Se pensarem com base nesses termos, os pais vão cair em estereótipos e perder o principal. Até mesmo um programa educativo que mostra como ser gentil, por exemplo, pode ter um lado negativo (pense em um desenho em que os personagens brigam o tempo todo e reatam só no fim&#8230;). Além disso, as próprias crianças também não são inteiramente “boas” ou “más”. Aquela “criança difícil” pode ser legal com os amigos, enquanto aquela vista como a boazinha também pode ter atitudes mesquinhas.</p>
<p>Fonte: <a href="http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI101836-15153,00-UM+NOVO+JEITO+DE+CRIAR+OS+FILHOS.html">http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI101836-15153,00-UM+NOVO+JEITO+DE+CRIAR+OS+FILHOS.html</a></p>
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		<title>A hora certa para a criança ler e escrever</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 14:34:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alfabetização]]></category>

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		<description><![CDATA[Não adianta ter pressa para o seu filho ganhar essas habilidades. O melhor é respeitar o tempo dele e segurar a sua ansiedade. Veja como você pode estimular a criança Crescer É lógico que o seu filho vai ler e escrever. Mesmo sabendo disso, a maioria dos pais entra em uma fase de enorme ansiedade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=451&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-452" title="0,,21836973,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/02183697300.jpg?w=300&#038;h=200" alt="0,,21836973,00" width="300" height="200" />Não adianta ter pressa para o seu filho ganhar essas habilidades. O melhor é respeitar o tempo dele e segurar a sua ansiedade. Veja como você pode estimular a criança Crescer É lógico que o seu filho vai ler e escrever. Mesmo sabendo disso, a maioria dos pais entra em uma fase de enorme ansiedade enquanto a criança é alfabetizada. E, mesmo inconscientemente, cobram resultados do filho, o que atrapalha todo o processo. “A criança aprende com o prazer, não precisa ser cobrada ou comparada com outras. Ela precisa principalmente ver sentido no que aprende, viver em um contexto onde a escrita e a leitura sejam um prazer para os pais”, diz Liamara Montagner, coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Santo Américo (SP). E cada uma tem seu tempo. O importante é ela se desenvolver durante o aprendizado, responder ao método que a escola propõe. Troque a ansiedade por diversão, brinque com os nomes da família, deixe ela contar histórias para você. Conte como os adultos escrevem, converse com o professor para conhecer melhor o método da escola e veja se é possível fazer algo junto, sem esquecer que a tarefa é, sim, da escola. “Caso a criança apresente algum problema concreto, a escola estará atenta e saberá fazer as mudanças necessárias e de forma mais personalizada”, diz Liamara.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-455" title="0,,21836982,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/02183698200.jpg?w=160&#038;h=160" alt="0,,21836982,00" width="160" height="160" /><strong>PARA GOSTAR DAS LETRAS</strong></p>
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<p><img class="alignleft size-full wp-image-456" title="0,,21836983,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/021836983001.jpg?w=160&#038;h=160" alt="0,,21836983,00" width="160" height="160" /><strong>Bilhetinhos:</strong></p>
<p>Deixe recados com palavras fáceis no travesseiro de manhã. Um “estou com saudade” é fácil de ler e mostra o seu carinho</p>
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<p><img class="alignleft size-full wp-image-457" title="0,,21836984,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/02183698400.jpg?w=160&#038;h=160" alt="0,,21836984,00" width="160" height="160" /><strong>Listas:</strong></p>
<p><strong> </strong>Você pode pedir para a criança fazer listas: do que gosta de comprar na padaria, das cores preferidas, dos personagens&#8230;</p>
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<p><img class="alignleft size-full wp-image-458" title="0,,21836985,00" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/021836985001.jpg?w=160&#038;h=160" alt="0,,21836985,00" width="160" height="160" /><strong>Brinquedos:</strong></p>
<p>Vale-tudo, de letras de borracha ou madeira, para a criança concretizar os símbolos, até caça ao tesouro usando palavras que ela já conheça.</p>
<p>Fonte: <a href="http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI99629-15152,00.html">http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI99629-15152,00.html</a></p>
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		<title>Criança com agenda cheia não é sinônimo de adulto bem sucedido</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 20:28:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Orientação Educacional]]></category>

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		<description><![CDATA[
Segunda, 12 de outubro de 2009, 10h25
http://noticias.terra.com.br
 Em tempos de tantas dúvidas sobre a educação dos filhos, o inglês Carl Honoré, também pai, reflete sobre os perigos de se manter um comportamento obsessivo e cobrador em relação à educação das crianças. No livro Sob Pressão (Editora Record, R$ 49), que acaba de chegar às livrarias brasileiras, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=447&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><em><img class="aligncenter size-medium wp-image-449" title="CB044440" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/j0399840.jpg?w=300&#038;h=199" alt="CB044440" width="300" height="199" /></em></p>
<p><em>Segunda, 12 de outubro de 2009, 10h25</em></p>
<p><em>http://noticias.terra.com.br</em></p>
<p> Em tempos de tantas dúvidas sobre a educação dos filhos, o inglês Carl Honoré, também pai, reflete sobre os perigos de se manter um comportamento obsessivo e cobrador em relação à educação das crianças. No livro <strong>Sob Pressão</strong> (Editora Record, R$ 49), que acaba de chegar às livrarias brasileiras, ele mostra, por meio de pesquisas e opiniões de especialistas, como a preocupação excessiva dos pais com o desempenho dos filhos coloca as crianças numa posição que não é a delas. Com a agenda cheia de fazer inveja a altos executivos, elas perdem a oportunidade de encontrar por si mesmas seus verdadeiros interesses e talentos. Muitas são obrigadas, por exemplo, a fazer aulas de pintura porque seus desenhos obtiveram elogios da professora.</p>
<p> &#8221;As crianças que são muito ocupadas e organizadas podem acabar menos criativas. Elas não têm o tempo ou o espaço para explorar o mundo em seus próprios termos,para aprender a correr riscos e a cometer erros&#8221;, disse Carl Honoré a entrevista concedida ao Portal Terra.</p>
<p> <strong>Terra &#8211; É mais difícil educar as crianças hoje em dia?</strong></p>
<p>Carl Honoré -De certa forma, a resposta é sim. Vivemos em uma cultura baseada na competição, elevando as expectativas e a impaciência. Queremos que tudo seja perfeito e agora. Isso coloca uma enorme pressão sobre os pais para criar um superfilho. A proximidade da fronteira entre as gerações também criou incerteza sobre como criar filhos. Esta geração de pais quer ficar jovem para sempre &#8211; vamos ouvir a mesma música, usar a mesma roupa, falar a mesma gíria, como nossos filhos. Isso deixa menos espaço para as crianças se definirem. E também torna mais difícil para nós, como pais, impor disciplina.</p>
<p> Mas nem tudo é má notícia. Há também muitas vantagens para crescer no início do século 21, especialmente na classe média. As crianças são menos propensas a sofrer de desnutrição, negligência, violência ou morte do que em qualquer momento da história. Estão rodeadas por confortos materiais que seriam impensáveis há uma geração atrás. Legiões de acadêmicos, políticos e companhias estão se esforçando para encontrar novas maneiras de cuidar, alimentar, vestir, ensinar e entretê-las. Seus direitos estão consagrados no direito internacional. A internet é uma fronteira extremamente excitante e nova para aprender e jogar. Os pais são muito mais emotivos com seus filhos do que nunca. Famílias estão menos autoritárias do que costumavam ser.</p>
<p> <strong>Terra &#8211; Uma criança muito ocupada, com uma agenda cheia de atividades, é </strong><strong>conveniente para os pais. Mais tarde, quando ela crescer e se der conta, qual </strong><strong>o resultado?</strong></p>
<p>CH &#8211; As crianças que são muito ocupadas e organizadas podem acabar menos criativas. Elas não têm o tempo ou o espaço para explorar o mundo em seus próprios termos, para aprender a correr riscos e a cometer erros. Elas não aprendem a pensar por si mesmas, apenas fazem o que é dito. Também não aprendem a olhar para dentro de si e descobrir quem são, já que estão muito ocupadas tentando ser o que nós queremos que elas sejam. E ainda: não aprendem a usar o tempo ou como preencher o tempo por conta própria &#8211; assim se cansam mais facilmente e podem sofrer de estresse e exaustão. As crianças que tiveram cada momento de sua vida gerida, organizada, controlada e programada pelos adultos, terão mais dificuldades de andar com seus próprios pés mais tarde. Em outras palavras, elas nunca crescem. É por isso que os estudantes universitários estão sofrendo problemas de saúde mental em números recordes.</p>
<p> <strong>Terra &#8211; Hoje os pais buscam receitas mágicas para educar, tanto que há inúmeros manuais desse tipo nas livrarias. Eles funcionam ou seria mais interessante seguir os instintos paternos?</strong></p>
<p>CH &#8211; Não existe uma fórmula mágica para criar filhos. Cada criança é única e cada família é única. O segredo é encontrar a fórmula, o estilo de paternidade que funciona melhor para você e seus filhos &#8211; e não seguir exatamente o que todo mundo está fazendo. O problema é que os pais de hoje são oprimidos por uma avalanche de conselhos, advertências e opções -e não sabem o que fazer. E quando não sabemos o que fazer a nossa resposta é muitas vezes apenas fazer o que todo mundo está fazendo.</p>
<p>Eu escrevi Sob Pressão para recuperar a minha própria confiança como pai e ajudar os outros a fazer o mesmo. Pais confiantes são capazes de resistir ao pânico e à pressão dos demais, a fim de encontrar sua própria maneira de educar os seus filhos. Acho que manuais para os pais às vezes podem ser úteis. Mas se você usá-los em demasia, eles podem acabar minando a sua confiança, de modo que você sinta que não pode fazer nada sem antes consultar um manual ou um especialista.</p>
<p><strong>Terra &#8211; É comum ouvir que a criança deve aprender brincando. O que significa isso?</strong></p>
<p>CH &#8211; A brincadeira é um impulso básico para as crianças. E quem passa o tempo com as crianças sabe disso. Brincar permite que elas criem mundos imaginários onde podem enfrentar os medos e ensaiar papéis adultos. Como os cientistas, elas arriscam as teorias sobre o mundo. Brincar em grupos sem executar o programa dos adultos ajuda as crianças a aprender a lidar com os sentimentos das outras pessoas e com a frustração. Basta assistir a um casal de crianças de três anos construindo uma casa de varas no jardim. Elas reúnem o material, negociam como montá-la, inventam regras, disputam o que cada uma coloca e onde. Crianças que brincam livres também começam a descobrir os seus próprios interesses e paixões, forças e fraquezas. A brincadeira é também uma versão natural do mais estruturado sistema de aprendizagem que ocorre na sala de aula e ajuda a estabelecer as bases para a leitura, a escrita e a aritmética. Como Maria Montessori (educadora italiana que criou o método pedagógico montessoriano) afirmou: &#8220;Brincar é o trabalho de uma criança.&#8221;</p>
<p> <strong>Terra &#8211; Tanta ambição e monitoramento em cima dos filhos podem ser</strong><strong>negativos para as crianças. Mas deixá-los &#8220;livres&#8221; para aprender seria a </strong><strong>solução?</strong></p>
<p>CH &#8211; É necessário equilíbrio. Uma parte importante da função dos pais é incentivar seu filho a ser ambicioso, para tirar o melhor dele, para cumprir o seu potencial. As crianças também precisam de limites para se sentir seguras &#8211; e ter algo para desafio. Mas isso é apenas uma parte da questão. A liberdade de aprender, de explorar o mundo em seus próprios termos é também essencial. A criança estará sempre melhor quando aprender a seguir o seu próprio interesse ou paixão, ao marcar o seu próprio caminho &#8211; e não apenas seguir o mapa estabelecido por outras pessoas. Em todo o mundo, os alunos estão abandonando os seus estudos universitários no primeiro ano em números recordes. Por quê? Porque, pela primeira vez em suas vidas estão longe de casa e livres para pensar sobre o que eles querem fazer com suas vidas. E estão percebendo que, de repente, seguindo o caminho traçado por seus pais ou outras pessoas, eles terminaram no curso de graduação errado. Não querem ser advogados, e sim arquitetos. Não querem estudar medicina, e sim engenharia. Dar às crianças a liberdade de aprender mais cedo na vida iria ajudá-las a não cair no caminho errado.</p>
<p> <strong>Terra &#8211; Colocar crianças para aprender línguas, trabalhar em grupo, praticar </strong><strong>esportes competitivos e outras tarefas que fazem do mundo adulto tão cedo </strong><strong>pode ter resultado inverso? Qual seria a idade mais adequada para começar </strong><strong>os cursos extracurriculares?</strong></p>
<p>CH &#8211; Novamente é tudo uma questão de equilíbrio. Devemos dar aos nossos filhos uma experiência rica de mundo e encorajá-los a aprender e experimentar com muitas atividades diferentes. O problema começa quando vamos longe demais, quando se estrutura e organiza todos os momentos da vida de nossos filhos. É difícil dizer exatamente o tempo ideal para iniciar atividades extracurriculares. Cada criança é diferente. Mas, em geral, eu acho que não há necessidade de atividades organizadas quando têm idade entre 0 e 5 anos. Não há problema em colocá-las em talvez uma ou duas atividades, mas não é preciso. Elas não vão sofrer se não estiverem em atividades nessa fase. Na verdade, irão se beneficiar de brincar livremente.</p>
<p><strong> </strong><strong>Terra &#8211; Existe uma nova linha de ensino ou de tendência hoje em dia nas </strong><strong>escolas?</strong></p>
<p>CH &#8211; Na maioria dos países, os sistemas de educação ainda são orientados para o modelo do século 19: preencher o tempo das crianças com informação, e, em seguida, testá-las mais e mais. Isso é completamente inútil no século 21. Precisamos de escolas que cultivem a criatividade. A boa notícia é que a mudança está chegando. Em todo o mundo, os sistemas escolares estão começando a reduzir a obsessão com os exames e estão diminuindo a carga de trabalho acadêmico e descobrindo que, quando os alunos têm mais tempo para relaxar, refletir e tomar conta de sua própria aprendizagem, eles aprendem melhor. No ano passado, Toronto (Canadá) tornou-se a primeira cidade da América do Norte a reduzir a lição de casa em todos os níveis. Cargilfield, uma escola privada, na Escócia, proibiu totalmente a lição de casa para alunos de 3 a 13 anos. Dentro de um ano, as notas de exame em matemática e ciências aumentaram quase 20%.</p>
<p> <em>Leia esta notícia no original em: Terra</em></p>
<p><em>http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI4037049-EI1377,00.html</em></p>
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		<title>Encontro de Artes Waldorf 2009</title>
		<link>http://psicologiaeeducacao.wordpress.com/2009/10/20/encontro-de-artes-waldorf-2009/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 15:23:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[
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		<title>Criança equilibrada e feliz. Qual o segredo?</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 18:52:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Infantil e Desenvolvimento]]></category>

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		<description><![CDATA[A infância é o tempo de explorar o mundo ao vivo e em cores, não só por meio da TV ou do computador. Os especialistas batem cada vez mais nessa tecla e explicam por que brincar faz toda diferença para a saúde física, mental e emocional dos pequenos.
Por Flávia Pinho, Revista Cláudia, outubro de 2005.

 
Se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=438&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>A infância é o tempo de explorar o mundo ao vivo e em cores, não só por meio da TV ou do computador. Os especialistas batem cada vez mais nessa tecla e explicam por que brincar faz toda diferença para a saúde física, mental e emocional dos pequenos.</strong></p>
<p><em>Por Flávia Pinho, Revista Cláudia, outubro de 2005.</em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-439" title="42-15190320" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/j0426458.jpg?w=499&#038;h=688" alt="42-15190320" width="499" height="688" /></p>
<p> </p>
<p>Se você acha que as brincadeiras do passado não fazem sentido em pleno século 21, é hora de repensar o assunto. Em diversos países, inclusive no Brasil, estudiosos se debruçam sobre as mudanças radicais que a rotina dos pequenos sofreu nas últimas décadas &#8211; e já admitem que hábitos colocados em segundo plano, como correr, jogar bolinhos de areia, são muito mais importantes para a saúde física, mental e emocional do que se podia supor. &#8220;Brincar é uma necessidade básica, como dormir e comer, e deve ser a atividade primorcial até os 6 anos&#8221;, afirma a assistente social, Marilene Martins, sócio-fundadora da Associação Brasileira pelo Direito de Brincar. A entidade não é a única a empunhar a bandeira. &#8220;Para se tornar um adulto equilibrado e feliz, a criança precisa viver intensamente a infância. Os pais não podem se preocupar apenas com a inteligência, com o rendimento escolar, com o futuro profissional&#8221;, alerta a pedagoga Nylse Cunha, autora de vários livros sobre o tema e presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas. São posições que, à primeira vista, precem óbvias. Afinal, quem vai impedir, em sã consicência, que o filho brinque? A questão, ressaltam os especialistas, é o que se entende hoje por brincadeira- em geral, apenas jogos eletrônicos e televisão.</p>
<p>&#8220;Essa diversão, que está na ponta dos dedos, é puramente mental. Acontece que o ser humano não muda tanto radicalmente de uma geração para outra. A criançada ainda precisa correr, pendurar, passar por baixo e por cima, se mexer&#8221;, diz o psiquiatra Içami Tiba. O pesquisador britânico John Richer, responsável pelo departamento de psicologia pediátrica em Oxford, na Inglaterra vai além. Ele chama a atenção para a ausência de contato da meninada com a realidade. &#8220;O medo da violência afastou as crianças das praças, fenômeno que se repete em muitos países. As que saem de casa brincam em playgrounds que, de tão seguros, são chatos. Não oferecem estímulos e ainda impedem que elas administrem riscos. Aprender sobre o mundo real implica tocá-lo, explorá-lo&#8221;, explica John.</p>
<p>A infância confinada causa prejuízos em diversas áreas do desenvolvimento. Na escola Anjo da Guarda, em Curitiba, a diretora pedagógica se preocupa com o que constata diariamente. &#8220;Os alunos são bem-informados, sabem usar qualquer aparelho e compreendem um manual como ninguém. Em compensação, mal começam a fazer uma atividade e querm pular para a seguinte. O poder de concentração foi seriamente afetado.&#8221; Em poucos anos, o aprendizado sofre consequências, alerta a psicóloga Lorena Busquin, do Colégio Miraflores, no RJ. &#8220;A criança que não experimentou o próprio corpo nos primeiros anos de vida, que não correu, não pulou, fica com déficits no desenvolvimento motor. Lá na frente, eles interferem na coordenação motora fina, fundamental para a alfabetização.&#8221; O mesmo se repete no campo emocional, &#8220;quem não brinca deixa de desenvolver áreas do cérebro responsáveis pela afetividade e sociabilidade. Terá dificuldade para se relacionar e não saberá lidar com as emoções, deficiências que só se recuperam com muita terapia. Reflexos de outro tipo são verificados nos consultórios médicos. Os países desenvolvidos são vítimas de uma verdadeira epidemia de doenças alérgicas, causadas em parte pela falta de exposição a elementos &#8211; quando  não se entra em contato com a boa e velha &#8220;vitamina S&#8221;, de sujeira, o sistema imunológico não  amadurece plenamente. &#8220;Os ambientes estão limpos demai&#8221;s. A sujeira do solo contém incontáveis microorganismos essenciais à vida.&#8221; O fenômeno também chegou ao Brasil, garante a imunologista Ana Paula Moschione de São Paulo. &#8220;Cerca de 20% das crianças já apresentam doenças alérgicas, um número assustador. Entre as causas, está o aumento das atividades em locais fechados. Passamos mais de 90% em ambientes repletos de ácaros.&#8221;</p>
<p>Atribuir esse confinamento às lomitações da vida moderna, colocando toda a culpa na violência urbana e nos apartamentos pequenos, é uma opinião simplista, pois estamos contaminados pelo estilo de vida eletrônico. Os games substituem as brincadeiras &#8211; e a falta de espaço, é o de menos. Para agravar, os pais se encantam ao constatar que os filhos dominam o controle remoto, o computador e as mais complexas engenhocas e acabam achando que já não se interessariam por distrações mais simples. Um equívoco, pois a amarelinha ainda faz muito sucesso! Podemos ver crianças de 1 ano e meio se divertindo em pequenos espaços de terra batida, sobreado de árvores. Esse aprendizado é cultural, precisamos incentivá-lo.</p>
<p>O intervalo entre as aulas também é hora de aprender a brincar. As meninas da faixa etária entre 10 e 13 anos, se encantam com as casinhas de boneca, mas tem vergonha de brincar. PAra deixá-las a vontade, é interessante entrar na brincadeira com elas. Isso acontece porque nem as crianças conseguem distinguir o que realmente gostam do que é imposto. Elas estão espelhando a pressão da mídia e da família. Como não tem oportunidade de descobrir seus sonhos genuínos e expressá-los, refletem o que já foi projetado.</p>
<p>A interferência do adulto é eVIdente em loja de brinquedos, pois se confere o valor aos produtos consciente ou inconscientemente. E não raro, nos surpreendemos ao ver que a criança se diverte mais com a caixa de papelão. Quanto mais pronto o brinquedo, mais aborrecido.</p>
<p><strong>A TV PODE SER UMA ALIADA NA EDUCAÇÃO, BASTA USÁ-LA COM INTELIGÊNCIA</strong></p>
<p>Não dá pra fechar os olhos diante da realidade: brincar é fundamental, mas a TV e o computador já são parte da infância &#8211; e em caráter definitivo. Os números comprovam, (segundo pesquisa da MacCann-Erickson) 63% das crianças das classes A/B, com menos de 12 anos, tem TV no próprio quarto e passam 4 horas diárias diante do aparelho. A boa notícia é que a telinha só assume o papel de vilã da história se voc6e permitir. A TV e o vídeo game são inevitáveis, o progresso está aí. Cabe aos pais interagir, selecionar a programação. O conteúdo deve respeitar a faixa etária e a rotina da criança, além de não tratá-la como mera consumidora. Quem abre mão dessa tarefa, deixa a criança na mira da artilharia pesada: &#8220;a maior parte da programação infantil é idealizada sob o prisma do consumo. O pequeno telespectador se torna consumidor não só de brinquedos e biscoitos, mas de um projeto de vida pobre. Ele cresce acreditando que a imagem é o que &#8220;importa&#8221;.</p>
<p>Exposta desde cedo a personagens e tramas cada vez mais sensuais, a criança tende a abandonar os brinquedos precocemente. Com cerca de 9 anos, já se considera pré-adolescente e se volta para outros interesses. A turma de 10, 12 anos, só quer saber de carros, viagens, computação, gente famosa, tecnologia e moda. O fenômeno se reflete na indústria de brinquedos. &#8220;Nosso público sofre uma forte pressão social para se tornar adulto antes do tempo, fazendo com que o mercado encolha. É assim no mundo inteiro, mas aqui no Brasil, a erotização nos meios de comunicação acelera ainda mais o processo&#8221;, atesta Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela. Separar o joio do trigo é mais simples do  que parece. Comece observando os valores que permeiam as séries e desenhos animados a que seu filho assiste. Preconceitos de qualquer natureza não devem ser tolerados. Programas que destacam atitudes solidárias e harmoniosas são recomendadas, mas convém evitar aqueles que pintam o mundo com cores tênues demais. É importante mostrar que os conflitos existem e podem ser resolvidos com tranquilidade. Personagens bonzinhos o tempo todo são irreais.</p>
<p>O vocabulário é outro item a considerar, como a criançada costuma sair pelas ruas repetindo os bordões que ouve na TV, marca ponto o programa que aproveita a deixa e apresenta palavras novas. Não pense contudo, que conteúdo educativo deve ser chato. Nada pode ser técnico, científico, formal, como uma aula tradicional. Mais do que informar, a TV tem de despertar curiosidade. O mesmo vale para o repertório musical, as canções que seu filho escuta são muito mais do que pura diversão e interferem de verdade no desenvolvimento dele, especialmente nos primeiros cinco anos de vida.</p>
<p>Enfim, o universo infantil é riquíssimo e não pode ser simplificado!</p>
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		<title>Convite Dia das Crianças</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 17:12:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
CONVITE DIA DAS CRIANÇAS
 
O maior presente que podemos dar às crianças nesse dia é proporcionar-lhes um espaço para a criatividade, imaginação e ludicidade. 
Você lembra da sua brincadeira de infância preferida? Ciranda? Corda? Alerta? Queimada? Bola de gude? Mímica? Gato mia? 
Que tal trazer essa brincadeira de presente para as crianças que fazem parte da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=431&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div> </div>
<div><span style="font-family:Comic Sans MS;"><span style="color:#008000;"><strong>CONVITE DIA DAS CRIANÇAS</strong></span></span></div>
<div><span style="font-family:Comic Sans MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Comic Sans MS;color:#800080;">O maior presente que podemos dar às crianças nesse dia é proporcionar-lhes um espaço para a criatividade, imaginação e ludicidade. </span></div>
<div><span style="font-family:Comic Sans MS;"><span style="color:#008080;">Você lembra da sua brincadeira de infância preferida? Ciranda? Corda? Alerta? Queimada? Bola de gude? Mímica? Gato mia?</span> </span><br />
<span style="font-family:Comic Sans MS;"><span style="color:#ff00ff;">Que tal trazer essa brincadeira de presente para as crianças que fazem parte da sua vida?<br />
</span><br />
<span style="color:#000080;">Será um momento de diversão para todos!</span></span><img class="aligncenter size-full wp-image-432" title="GetAttachment" src="http://psicologiaeeducacao.files.wordpress.com/2009/10/getattachment.jpg?w=400&#038;h=285" alt="GetAttachment" width="400" height="285" /></p>
</div>
<p><span style="color:#0000ff;">Convidamos você a nos enviar o relato dessa experiência para compartilharmos em nosso informativo</span>. <a rel="nofollow" href="mailto:alianca@aliancapelainfancia.org.br" target="_blank"><strong><span style="font-family:Comic Sans MS;"> Mande sua história e fotos para o nosso e-mail! </span></strong><a href="mailto:alianca@aliancapelainfancia.org.br">alianca@aliancapelainfancia.org.br</a><strong><span style="font-family:Comic Sans MS;"><a rel="nofollow" href="mailto:alianca@aliancapelainfancia.org.br" target="_blank"> </a></span></strong><a rel="nofollow" href="mailto:alianca@aliancapelainfancia.org.br" target="_blank"></a><br />
<span style="font-family:Comic Sans MS;"><span style="color:#ff0000;">Feliz </span><span style="color:#008080;">Dia </span><span style="color:#000080;">das</span> <span style="color:#800080;">Crianças!</span></span></a></p>
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		<title>Criança mimada</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 15:50:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Infantil e Desenvolvimento]]></category>

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<p>Você já deve ter visto ou vivenciado a seguinte cena: no supermercado, uma criança se debate no chão, chora, berra, enquanto a mãe, em geral, costuma ficar bastante envergonhada com todos os olhares que se voltam para ela e para aquele pequeno ser tão sonoro, cuja vontade não foi prontamente atendida. O comportamento é típico de filhos mimados, encarados como um problemão. Mas como fazer para evitá-los? Boa parte da origem &#8211; e da solução &#8211; está nas mãos dos próprios pais.</p>
<p>O fato de um pai, uma mãe (ou ambos) mimar os filhos passa por diversos fatores e vai desde a superproteção até uma certa negligência. &#8221;Em vez de impor os limites e gastar energia discutindo com a criança, a saída mais fácil é atender seus desejos&#8221;, diz a psicóloga Patrícia Spada, da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp).</p>
<p>Outras questões que resultam na criança mimada incluem: a mãe com um alto nível de ansiedade, ou seja, com medo de que aconteça algo muito ruim para o filho; pais que demoraram muito para engravidar, e quando vem o bebê ele é tratado como um bibelô (algo frágil, que corre o risco de quebrar a qualquer instante) e a rivalidade entre o casal, levando-os a disputar o amor do filho mimando-o. O que também pesa é a imaturidade dos adultos por achar que uma criança bem amada é aquela que vai ter tudo que os pais não tiveram e um pouco mais, entre outros motivos.</p>
<p><strong>Os efeitos do mimo</strong><br />
O mimo é a não colocação de limites claros e passar a atender a todos os desejos do filho, antecipar-se para que ele não se frustre, protegê-lo dos sofrimentos naturais e inerentes à vida. &#8220;São atitudes familiares que podem induzir a criança a ter um comportamento de risco não só na adolescência, mas ainda quando for uma criança maior&#8221;, alerta a psicóloga Patrícia Spada.</p>
<p>Pais de filhos mimados tendem a ser super indulgentes e procuram até adivinhar qual deverá ser o próximo desejo da criança. Quando crescer, as chances dessa criança em não respeitar regras são enormes. Afinal de contas, ela foi criada como uma pequena &#8220;dona do mundo&#8221; - tudo que deseja ela tem, tudo que quer ela consegue.</p>
<p>&#8220;No futuro, eles podem desenvolver até um comportamento delinquente, quando muitas vezes se tornam líderes do grupo (pois foram tratados como autoridade ou realeza a vida toda), maltratando, prejudicando ou, no mínimo, desprezando os outros que não concordam com seu jeito de pensar e agir&#8221;, ressalta Patrícia.</p>
<p><strong>A Influência começa cedo</strong><br />
Desde o seu nascimento, o bebê<a target="_self"></a> está suscetível ao temperamento, às vivências positivas e negativas dos pais, aos modelos afetivos que eles tiveram, entre outros fatores que irão, certamente, influenciar e interferir no relacionamento pais e filhos.</p>
<p>Algumas atitudes dos pais podem, de fato, atrapalhar o desenvolvimento global adequado do filho, tais como: superproteção ou quando o contato com o filho é mantido de modo intenso e contínuo, seja dormindo com eles, amamenta-os durante bem mais tempo do que o recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (é essencial até o sexto mês de vida) e, principalmente, limitando o contato da criança com outras pessoas, ou com outros bebês. </p>
<p>De acordo com a especialista Patrícia Spada, são hábitos que impedirão o início da percepção do bebê de que o mundo não é somente a mãe ou o pai, mas está repleto de outros interesses - fato que pode deixar os pais bastante ameaçados em relação à perda do afeto do filho.</p>
<p>Outra atitude dos pais, frequentemente relacionada a abandono, mas disfarçada por comportamentos de total liberação, é a super permissividade, que consiste em fazer tudo o que o filho deseja, sem nunca colocar limites e nem posicioná-lo, explicando motivos de não poder fazer determinada coisa.</p>
<p>&#8220;No caso de bebês, uma situação que demonstra isto é quando os pais se adiantam aos desejos do filho, e prontamente tentam satisfazê-lo, não raramente, em relação à alimentação. Assim, a criança chora ou faz menção de reclamar e os pais, imediatamente, lhe dão comida, sem nem lhe dar a chance de perceber e sentir se está mesmo com fome ou não e conhecer seu ponto de saciedade&#8221;, alerta Patrícia.</p>
<p><strong>O poder do &#8220;Não&#8221;</strong><br />
É por volta dos dois anos de idade que a criança aprende a falar &#8220;Não&#8221;. É uma descoberta natural, mas que por desconhecimento, os pais a enfrentam com receio de perder a autoridade e gera-se um círculo vicioso: a criança tenta se apossar de seus desejos e palavras recém-descobertas a fim de desenvolver seu mundo mental próprio ou sua identidade e, do outro lado, os pais temerosos não aceitam e muito menos compreendem esta fase e preferem eles dizer o &#8220;Não&#8221; a ficarem com a palavra final. É aí que começam os ataques dos pequenos. &#8221;A criança passa a ter verdadeiros ataques coléricos para se afirmar, cujo limite para a birra é uma tênue e frágil linha&#8221;, acrescenta a especialista da Unifesp.</p>
<p><strong>A idade crítica</strong><br />
Quando os pais não têm suas próprias questões emocionais bem elaboradas, é mais fácil que elas se confundam com as emoções do filho e, dessa forma, projetem nele seus desejos não realizados e suas frustrações. Por essa ótica, toda e qualquer idade é uma idade de risco para deseducar os filhos. &#8220;Cada uma das fases da vida exige dos pais atitudes firmes, afetuosas, e limites bem colocados evitando &#8211; ao máximo futuros transtornos de comportamento&#8221;, alerta Spada.</p>
<p>O comportamento dos pais de não imporem limites para se livrarem do problema é uma situação mais comum do que se pensa. Em geral, os pais permitem que o filho faça tudo o que quiser com a condição de não incomodá-los. &#8220;É o que chamamos de superpermissividade e uma das consequências é a indisciplina da criança , diz a especialista.</p>
<p><strong>Tem cura!</strong><br />
A reeducação sempre é possível, contanto que os pais realmente a desejem e estejam dispostos a arcar com as consequencias inevitáveis em função da mudança de atitudes, bem como com a resistência do filho em perder o trono (falso e prejudicial) no qual sempre viveu.</p>
<p>Geralmente, a escola chama os pais para orientá-los a procurar ajuda profissional, pois é no ambiente social do filho onde aparecem os desvios de conduta com mais frequencia. Outras vezes, os próprios pais percebem que tudo já está fora de controle e nem eles mesmos conseguem suportar mais tal situação. E é neste momento de coragem que podem procurar um profissional da área de psicologia para ajudar a criança a se desenvolver e aproveitar todas as suas potencialidades.</p>
<p><strong>Confira abaixo as dicas da especialista Patrícia Spada para evitar a criança mimada em casa:</strong><br />
<strong>Quando a criança não aceita comer o que há na mesa e faz birra</strong> Resorver isto parte de uma boa comunicação da criança com os pais. O problema é que os lados não estão falando a mesma linguagem e, geralmente, há grande manipulação por parte da criança.</p>
<p>Há, de fato, o risco de a criança ficar sem comer, enfraquecida, vir a adoecer, e ela sente e percebe a insegurança e receio da mãe quanto a isso. Se a mãe não conseguir traduzir este clima emocional, será uma guerra de foice, pois ambos tenderão a mostrar ao outro quem é o mais forte e, é claro, a criança poderá estar em situação de risco.</p>
<p>Nestes casos, é indicado que a mãe converse muito com a criança, respeite-a em seu gosto alimentar, faça junto com ela alguns cardápios e insista, sem forçar, para que o filho experimente a comida, mas tenha a liberdade de escolher o que quer comer, mas contanto que coma algum dos ingredientes servidos.</p>
</div>
<p><img style="border-width:0;" title="Choro de criança" src="http://images.minhavida.com.br/imagensConteudo/5520/manha2_5520_11691.jpg" alt="Choro de criança" /></p>
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<p>Com o tempo, ele se sentindo respeitado como pessoa, sem ser forçado, sem sofrer violência (física ou psicológica), vai querer comer e passará a aceitar mais facilmente, em combinação com a mãe, o que quer que seja feito para se alimentarem.</p>
<p><strong>Para que os filhos saibam reconhecer o valor material e o esforço dos pais para conquistá-las </strong><br />
Conversar sempre demonstrando sem cobrança o quanto é necessário para um adulto se esforçar para ter dinheiro; &#8211; Ajudar o filho a administrar sua mesada ( se a receber), deixando-o decidir pela forma que quer usá-la, mas também arcando com as consequências &#8211; quando a criança gastar tudo o que tiver. O adequado será que ela possa esperar e juntar o dinheiro todo novamente, aprendendo a esperar, a lidar com a frustração e reconhecer o amor dos pais por ele. &#8211; Não é saudável dar presentes para o filho o tempo todo.</p>
<p>É preciso que ele saiba a importância da economia regrada (e não exagerada), bem como a importância de os pais lhe pedirem opiniões sobre o que ele pensa que poderia ajudar para melhorar o orçamento da família.</p>
<p><strong>Para que os filhos entendam o valor das amizades e a importância de compartilhar </strong><br />
Este é um valor que certamente começa em casa. Não é a mãe obrigando o filho a emprestar seu brinquedo favorito para o amiguinho que desenvolverá nele o sentimento de solidariedade ou de partilha. É natural que as crianças passem pela fase de não querer dividir nada do que é seu com nenhum amigo e, neste caso, é importante que a mãe e o pai respeitem e compreendam a posição e a emoção de seu filho e deixem que ele aprenda a lidar com as consequências de sua atitude.</p>
<p>Se os adultos estiverem emocionalmente bem, tranquilos e confiantes na educação que estão dando à criança, tudo não passará de mais uma fase conturbada e turbulenta, que quando acompanhada de perto pelos responsáveis pela criança, tende a se acalmar com o tempo. <strong><br />
</strong></p>
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<p><strong>Para evitar os ataques de choro e crises dos pequenos quando algo não sai como eles querem </strong><br />
Muitas vezes os ataques de choro e as crises não devem ser evitadas, justamente pela importância que a elas compete. Nenhum ser humano consegue tudo que quer na hora que quer e quando os pequenos percebem que eles também não são poderosos, &#8211; pois não só as coisas não são como querem como também não conseguem com que os pais atendam a seus desejos incondicionalmente &#8211; é o momento ideal para que devagar possam ir entrando em contato com a realidade e elaborar este sentimento de onipotência , tão natural e esperado nos filhos. É interessante salientar que, em geral, as crises de choro e de birra, muitas vezes, mais deixam os pais envergonhados &#8211; pela possível opinião dos outros (que nem se quer os conhece) de que não são bons pais, do que preocupados com a saúde emocional e mental ou desenvolvimento saudável do filho.</p>
<p>Fonte:  <a href="http://www.minhavida.com.br"><em>www.minhavida.com.br</em></a><em>, publicado 24/07/2009.</em> </p>
</div>
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		<title>Abuso da Criança e Negligência</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 15:31:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciene Rochael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Infantil e Desenvolvimento]]></category>

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Abuso da Criança e Negligência.
Um dos perigos mais terríveis da infância é a possibilidade de abuso físico, sexual ou psicológico. Ainda que nem sempre seja fácil definir o que se qualifica como abuso, a maioria dos psicólogos, hoje em dia, seguiria as definições propostas por Douglas Barnett e seu colegas: o abuso físico envolve a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=psicologiaeeducacao.wordpress.com&blog=4093584&post=426&subd=psicologiaeeducacao&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p><strong>Abuso da Criança e Negligência.</strong></p>
<p>Um dos perigos mais terríveis da infância é a possibilidade de abuso físico, sexual ou psicológico. Ainda que nem sempre seja fácil definir o que se qualifica como abuso, a maioria dos psicólogos, hoje em dia, seguiria as definições propostas por Douglas Barnett e seu colegas: o <em>abuso físico</em> envolve a inflição acidental de ferimentos físicos à criança &#8211; qualquer ferimento, desde um hematoma a outros tão graves que exigem hospitalização ou causam morte da criança. O <em>abuso sexual</em> envolve qualquer tipo de contato sexual entre uma criança e adulto. A <em>negligência física</em> inclui tanto o fato de não cuidar adequadamente da criança em termos de nutrição e cuidados básicos quanto o fato de não oferecer uma supervisão adequada à idade da criança.</p>
<p>É extramente difícil determinar o quão comum é o abuso, embora todos os observadores concordem que ele é, de modo perturbador, comum em muitos países. A maioria das estimativas sugere que uma criança em cada 70 sofre abusos todos os anos. Desse número, quase a metade são casos de negligência física, um quarto são casos de abuso físico e um décimo envolve abuso sobretudo sexual. As crianças entre dois e nove anos são as maiores vítimas de abusos; os bebês são os que mais raramente sofrem abusos, mas são os que correm o maior risco de morrer devido ao abuso infligido. De todas essas crianças vitimadas, talvez um quarto ou um terço sofra de formas extremas de violência; as crianças restantes sofrem formas mais moderadas de abuso. (Emery e Laumann-Billings, 1996.)</p>
<p>Por que os pais abusam dos filhos? Não existe uma resposta fácil. Podemos identificar certos fatores de risco, mas o abuso normalmente não ocorre a menos que vários desses fatores de riscos aconteçam na mesma família ao mesmo tempo. Três elementos parecem ser a resposta.</p>
<p>Em primeiro lugar, está o papel de estresse dos pais no desencadeamento de atos de violência. O risco de abuso é maior em uma família que experiencia um estresse significativo, que pode decorrer de desemprego, pobreza, violência no bairro, falta de apoio social ou de uma criança especialmente difícil ou exigente. Sem dúvida, todos nós temos algum limiar de estresse além do qual é provável que percamos a paciência &#8211; reagindo com um ataque de raiva, com agressão ou, em alguns casos, com abuso a uma criança.</p>
<p>No entanto, o estresse sozinho, mesmo que muito grave, não é suficiente para tornar o abuso com certeza. Outro ingrediente chave é a habilidade dos pais em lidar com a criança e com os estresses de sua vida. Alguns pais que foram eles próprios abusados, simplesmente não conhecem outra maneira de lidar com a frustração ou com o estresse ou com a desobediência dos filhos a não ser atacando de alguma maneira. Outros são deprimidos ou incapazes de estabelecer com a criança o vínculo emocional que ajudaria a prevenir o abuso. A dependência de alcóol e de drogas também desempenham um papel significativo em muitos casos.</p>
<p>Um terceiro elemento chave é a falta de apoio social ou algum tipo de isolamento social. Quando vários desses ingredientes-chave se intersecionam &#8211; alto nível de estresse, falta de apoio pessoal, ausência de habilidades ou estratégias alternativas, e a incapacidade pessoal de lidar com forma adequada com o estresse &#8211; o abuso de uma criança ( ou do cônjugue) torna-se bastante provável.</p>
<p>As perspectivas a longo prazo para as crianças vitimadas não são nada boas, em especial para aquele grupo que foi maltratado mais frequente ou gravemente. As crianças que sofreram abuso físico apresentam probabilidade muito maior do que as não -abusadas de se tornarem agressivas ou delinquentes em idade escolar ou na adolescência e de serem violentadas quando adultas (incluindo comportamentos de estuprar namoradas ou abusar da esposa). Além disso, é muito mais provável que abusem de substâncias na adolescência e na idade adulta, tentem suicídio, tenham problemas emocionais, como ansiedade e depressão ou formas mais sérias de doença emocional, e apresentem QI mais baixo e piro desempenho escolar. Essas pessoas tem mais diculdade para estabelecer amizades íntimas na idade escolar e na adolescência.</p>
<p>As crianças sexualmente abusadas também apresentam uma grande variedade de perturbações, incluindo medos, problemas de comportamento, promiscuidade sexual ou agressões sexuais na adolescência e na idade adulta, baixa auto-estima e Transtorno de Estresse Pós-Traumático &#8211; um padrão de de perturbação que inclui flashbacks do evento traumático, pesadelos, um esforço constante para não pensar no evento traumático nem para lembrar dele e sinais de vigilância aumentada como hipervigilância, reações de susto exageradas, perturbações do sono e interferência na concentração e na atenção.</p>
<p>As crianças que sofreram algum tipo de abuso nem sempre apresentam todos esses sintomas, mas é muito provável que manifestem alguma forma de perturbação significativa. Quanto mais prolongado e mais grave o abuso, maior a probabilidade de problemas como esses.</p>
<p>O quadro não é totalmente sombrio. Algumas crianças abusadas são, embora nos surpreenda, resilientes, não apresentando nenhum sintoma mensurável. Outras mostram um declínio nos sintomas de angústia quando o abuso é interrompido, em especial se a mãe da criança foi apoiadora e protetora. No entanto, apesar dessas palavras de consolo, não podemos perder de vista o fato de que problemas a longo prazo são comuns entre as crianças que experienciam nesse grau de hostilidade ou agressão, nem o fato de que a nossa sociedade ainda não encontrou boas maneiras de reduzir a incidência de abuso.</p>
<p><em>Fonte:  BEE, Helen. A Criança em Desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 2003, pg. 153.</em></p>
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