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A infância é o tempo de explorar o mundo ao vivo e em cores, não só por meio da TV ou do computador. Os especialistas batem cada vez mais nessa tecla e explicam por que brincar faz toda diferença para a saúde física, mental e emocional dos pequenos.

Por Flávia Pinho, Revista Cláudia, outubro de 2005.

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Se você acha que as brincadeiras do passado não fazem sentido em pleno século 21, é hora de repensar o assunto. Em diversos países, inclusive no Brasil, estudiosos se debruçam sobre as mudanças radicais que a rotina dos pequenos sofreu nas últimas décadas – e já admitem que hábitos colocados em segundo plano, como correr, jogar bolinhos de areia, são muito mais importantes para a saúde física, mental e emocional do que se podia supor. “Brincar é uma necessidade básica, como dormir e comer, e deve ser a atividade primorcial até os 6 anos”, afirma a assistente social, Marilene Martins, sócio-fundadora da Associação Brasileira pelo Direito de Brincar. A entidade não é a única a empunhar a bandeira. “Para se tornar um adulto equilibrado e feliz, a criança precisa viver intensamente a infância. Os pais não podem se preocupar apenas com a inteligência, com o rendimento escolar, com o futuro profissional”, alerta a pedagoga Nylse Cunha, autora de vários livros sobre o tema e presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas. São posições que, à primeira vista, precem óbvias. Afinal, quem vai impedir, em sã consicência, que o filho brinque? A questão, ressaltam os especialistas, é o que se entende hoje por brincadeira- em geral, apenas jogos eletrônicos e televisão.

“Essa diversão, que está na ponta dos dedos, é puramente mental. Acontece que o ser humano não muda tanto radicalmente de uma geração para outra. A criançada ainda precisa correr, pendurar, passar por baixo e por cima, se mexer”, diz o psiquiatra Içami Tiba. O pesquisador britânico John Richer, responsável pelo departamento de psicologia pediátrica em Oxford, na Inglaterra vai além. Ele chama a atenção para a ausência de contato da meninada com a realidade. “O medo da violência afastou as crianças das praças, fenômeno que se repete em muitos países. As que saem de casa brincam em playgrounds que, de tão seguros, são chatos. Não oferecem estímulos e ainda impedem que elas administrem riscos. Aprender sobre o mundo real implica tocá-lo, explorá-lo”, explica John.

A infância confinada causa prejuízos em diversas áreas do desenvolvimento. Na escola Anjo da Guarda, em Curitiba, a diretora pedagógica se preocupa com o que constata diariamente. “Os alunos são bem-informados, sabem usar qualquer aparelho e compreendem um manual como ninguém. Em compensação, mal começam a fazer uma atividade e querm pular para a seguinte. O poder de concentração foi seriamente afetado.” Em poucos anos, o aprendizado sofre consequências, alerta a psicóloga Lorena Busquin, do Colégio Miraflores, no RJ. “A criança que não experimentou o próprio corpo nos primeiros anos de vida, que não correu, não pulou, fica com déficits no desenvolvimento motor. Lá na frente, eles interferem na coordenação motora fina, fundamental para a alfabetização.” O mesmo se repete no campo emocional, “quem não brinca deixa de desenvolver áreas do cérebro responsáveis pela afetividade e sociabilidade. Terá dificuldade para se relacionar e não saberá lidar com as emoções, deficiências que só se recuperam com muita terapia. Reflexos de outro tipo são verificados nos consultórios médicos. Os países desenvolvidos são vítimas de uma verdadeira epidemia de doenças alérgicas, causadas em parte pela falta de exposição a elementos – quando  não se entra em contato com a boa e velha “vitamina S”, de sujeira, o sistema imunológico não  amadurece plenamente. “Os ambientes estão limpos demai”s. A sujeira do solo contém incontáveis microorganismos essenciais à vida.” O fenômeno também chegou ao Brasil, garante a imunologista Ana Paula Moschione de São Paulo. “Cerca de 20% das crianças já apresentam doenças alérgicas, um número assustador. Entre as causas, está o aumento das atividades em locais fechados. Passamos mais de 90% em ambientes repletos de ácaros.”

Atribuir esse confinamento às lomitações da vida moderna, colocando toda a culpa na violência urbana e nos apartamentos pequenos, é uma opinião simplista, pois estamos contaminados pelo estilo de vida eletrônico. Os games substituem as brincadeiras – e a falta de espaço, é o de menos. Para agravar, os pais se encantam ao constatar que os filhos dominam o controle remoto, o computador e as mais complexas engenhocas e acabam achando que já não se interessariam por distrações mais simples. Um equívoco, pois a amarelinha ainda faz muito sucesso! Podemos ver crianças de 1 ano e meio se divertindo em pequenos espaços de terra batida, sobreado de árvores. Esse aprendizado é cultural, precisamos incentivá-lo.

O intervalo entre as aulas também é hora de aprender a brincar. As meninas da faixa etária entre 10 e 13 anos, se encantam com as casinhas de boneca, mas tem vergonha de brincar. PAra deixá-las a vontade, é interessante entrar na brincadeira com elas. Isso acontece porque nem as crianças conseguem distinguir o que realmente gostam do que é imposto. Elas estão espelhando a pressão da mídia e da família. Como não tem oportunidade de descobrir seus sonhos genuínos e expressá-los, refletem o que já foi projetado.

A interferência do adulto é eVIdente em loja de brinquedos, pois se confere o valor aos produtos consciente ou inconscientemente. E não raro, nos surpreendemos ao ver que a criança se diverte mais com a caixa de papelão. Quanto mais pronto o brinquedo, mais aborrecido.

A TV PODE SER UMA ALIADA NA EDUCAÇÃO, BASTA USÁ-LA COM INTELIGÊNCIA

Não dá pra fechar os olhos diante da realidade: brincar é fundamental, mas a TV e o computador já são parte da infância – e em caráter definitivo. Os números comprovam, (segundo pesquisa da MacCann-Erickson) 63% das crianças das classes A/B, com menos de 12 anos, tem TV no próprio quarto e passam 4 horas diárias diante do aparelho. A boa notícia é que a telinha só assume o papel de vilã da história se voc6e permitir. A TV e o vídeo game são inevitáveis, o progresso está aí. Cabe aos pais interagir, selecionar a programação. O conteúdo deve respeitar a faixa etária e a rotina da criança, além de não tratá-la como mera consumidora. Quem abre mão dessa tarefa, deixa a criança na mira da artilharia pesada: “a maior parte da programação infantil é idealizada sob o prisma do consumo. O pequeno telespectador se torna consumidor não só de brinquedos e biscoitos, mas de um projeto de vida pobre. Ele cresce acreditando que a imagem é o que “importa”.

Exposta desde cedo a personagens e tramas cada vez mais sensuais, a criança tende a abandonar os brinquedos precocemente. Com cerca de 9 anos, já se considera pré-adolescente e se volta para outros interesses. A turma de 10, 12 anos, só quer saber de carros, viagens, computação, gente famosa, tecnologia e moda. O fenômeno se reflete na indústria de brinquedos. “Nosso público sofre uma forte pressão social para se tornar adulto antes do tempo, fazendo com que o mercado encolha. É assim no mundo inteiro, mas aqui no Brasil, a erotização nos meios de comunicação acelera ainda mais o processo”, atesta Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela. Separar o joio do trigo é mais simples do  que parece. Comece observando os valores que permeiam as séries e desenhos animados a que seu filho assiste. Preconceitos de qualquer natureza não devem ser tolerados. Programas que destacam atitudes solidárias e harmoniosas são recomendadas, mas convém evitar aqueles que pintam o mundo com cores tênues demais. É importante mostrar que os conflitos existem e podem ser resolvidos com tranquilidade. Personagens bonzinhos o tempo todo são irreais.

O vocabulário é outro item a considerar, como a criançada costuma sair pelas ruas repetindo os bordões que ouve na TV, marca ponto o programa que aproveita a deixa e apresenta palavras novas. Não pense contudo, que conteúdo educativo deve ser chato. Nada pode ser técnico, científico, formal, como uma aula tradicional. Mais do que informar, a TV tem de despertar curiosidade. O mesmo vale para o repertório musical, as canções que seu filho escuta são muito mais do que pura diversão e interferem de verdade no desenvolvimento dele, especialmente nos primeiros cinco anos de vida.

Enfim, o universo infantil é riquíssimo e não pode ser simplificado!

 
CONVITE DIA DAS CRIANÇAS
 
O maior presente que podemos dar às crianças nesse dia é proporcionar-lhes um espaço para a criatividade, imaginação e ludicidade.
Você lembra da sua brincadeira de infância preferida? Ciranda? Corda? Alerta? Queimada? Bola de gude? Mímica? Gato mia?
Que tal trazer essa brincadeira de presente para as crianças que fazem parte da sua vida?

Será um momento de diversão para todos!
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Convidamos você a nos enviar o relato dessa experiência para compartilharmos em nosso informativo Mande sua história e fotos para o nosso e-mail! alianca@aliancapelainfancia.org.br 
Feliz Dia das Crianças!

Criança mimada

Você já deve ter visto ou vivenciado a seguinte cena: no supermercado, uma criança se debate no chão, chora, berra, enquanto a mãe, em geral, costuma ficar bastante envergonhada com todos os olhares que se voltam para ela e para aquele pequeno ser tão sonoro, cuja vontade não foi prontamente atendida. O comportamento é típico de filhos mimados, encarados como um problemão. Mas como fazer para evitá-los? Boa parte da origem – e da solução – está nas mãos dos próprios pais.

O fato de um pai, uma mãe (ou ambos) mimar os filhos passa por diversos fatores e vai desde a superproteção até uma certa negligência. ”Em vez de impor os limites e gastar energia discutindo com a criança, a saída mais fácil é atender seus desejos”, diz a psicóloga Patrícia Spada, da Universidade Federal de São Paulo(Unifesp).

Outras questões que resultam na criança mimada incluem: a mãe com um alto nível de ansiedade, ou seja, com medo de que aconteça algo muito ruim para o filho; pais que demoraram muito para engravidar, e quando vem o bebê ele é tratado como um bibelô (algo frágil, que corre o risco de quebrar a qualquer instante) e a rivalidade entre o casal, levando-os a disputar o amor do filho mimando-o. O que também pesa é a imaturidade dos adultos por achar que uma criança bem amada é aquela que vai ter tudo que os pais não tiveram e um pouco mais, entre outros motivos.

Os efeitos do mimo
O mimo é a não colocação de limites claros e passar a atender a todos os desejos do filho, antecipar-se para que ele não se frustre, protegê-lo dos sofrimentos naturais e inerentes à vida. “São atitudes familiares que podem induzir a criança a ter um comportamento de risco não só na adolescência, mas ainda quando for uma criança maior”, alerta a psicóloga Patrícia Spada.

Pais de filhos mimados tendem a ser super indulgentes e procuram até adivinhar qual deverá ser o próximo desejo da criança. Quando crescer, as chances dessa criança em não respeitar regras são enormes. Afinal de contas, ela foi criada como uma pequena “dona do mundo” - tudo que deseja ela tem, tudo que quer ela consegue.

“No futuro, eles podem desenvolver até um comportamento delinquente, quando muitas vezes se tornam líderes do grupo (pois foram tratados como autoridade ou realeza a vida toda), maltratando, prejudicando ou, no mínimo, desprezando os outros que não concordam com seu jeito de pensar e agir”, ressalta Patrícia.

A Influência começa cedo
Desde o seu nascimento, o bebê está suscetível ao temperamento, às vivências positivas e negativas dos pais, aos modelos afetivos que eles tiveram, entre outros fatores que irão, certamente, influenciar e interferir no relacionamento pais e filhos.

Algumas atitudes dos pais podem, de fato, atrapalhar o desenvolvimento global adequado do filho, tais como: superproteção ou quando o contato com o filho é mantido de modo intenso e contínuo, seja dormindo com eles, amamenta-os durante bem mais tempo do que o recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (é essencial até o sexto mês de vida) e, principalmente, limitando o contato da criança com outras pessoas, ou com outros bebês. 

De acordo com a especialista Patrícia Spada, são hábitos que impedirão o início da percepção do bebê de que o mundo não é somente a mãe ou o pai, mas está repleto de outros interesses - fato que pode deixar os pais bastante ameaçados em relação à perda do afeto do filho.

Outra atitude dos pais, frequentemente relacionada a abandono, mas disfarçada por comportamentos de total liberação, é a super permissividade, que consiste em fazer tudo o que o filho deseja, sem nunca colocar limites e nem posicioná-lo, explicando motivos de não poder fazer determinada coisa.

“No caso de bebês, uma situação que demonstra isto é quando os pais se adiantam aos desejos do filho, e prontamente tentam satisfazê-lo, não raramente, em relação à alimentação. Assim, a criança chora ou faz menção de reclamar e os pais, imediatamente, lhe dão comida, sem nem lhe dar a chance de perceber e sentir se está mesmo com fome ou não e conhecer seu ponto de saciedade”, alerta Patrícia.

O poder do “Não”
É por volta dos dois anos de idade que a criança aprende a falar “Não”. É uma descoberta natural, mas que por desconhecimento, os pais a enfrentam com receio de perder a autoridade e gera-se um círculo vicioso: a criança tenta se apossar de seus desejos e palavras recém-descobertas a fim de desenvolver seu mundo mental próprio ou sua identidade e, do outro lado, os pais temerosos não aceitam e muito menos compreendem esta fase e preferem eles dizer o “Não” a ficarem com a palavra final. É aí que começam os ataques dos pequenos. ”A criança passa a ter verdadeiros ataques coléricos para se afirmar, cujo limite para a birra é uma tênue e frágil linha”, acrescenta a especialista da Unifesp.

A idade crítica
Quando os pais não têm suas próprias questões emocionais bem elaboradas, é mais fácil que elas se confundam com as emoções do filho e, dessa forma, projetem nele seus desejos não realizados e suas frustrações. Por essa ótica, toda e qualquer idade é uma idade de risco para deseducar os filhos. “Cada uma das fases da vida exige dos pais atitudes firmes, afetuosas, e limites bem colocados evitando – ao máximo futuros transtornos de comportamento”, alerta Spada.

O comportamento dos pais de não imporem limites para se livrarem do problema é uma situação mais comum do que se pensa. Em geral, os pais permitem que o filho faça tudo o que quiser com a condição de não incomodá-los. “É o que chamamos de superpermissividade e uma das consequências é a indisciplina da criança , diz a especialista.

Tem cura!
A reeducação sempre é possível, contanto que os pais realmente a desejem e estejam dispostos a arcar com as consequencias inevitáveis em função da mudança de atitudes, bem como com a resistência do filho em perder o trono (falso e prejudicial) no qual sempre viveu.

Geralmente, a escola chama os pais para orientá-los a procurar ajuda profissional, pois é no ambiente social do filho onde aparecem os desvios de conduta com mais frequencia. Outras vezes, os próprios pais percebem que tudo já está fora de controle e nem eles mesmos conseguem suportar mais tal situação. E é neste momento de coragem que podem procurar um profissional da área de psicologia para ajudar a criança a se desenvolver e aproveitar todas as suas potencialidades.

Confira abaixo as dicas da especialista Patrícia Spada para evitar a criança mimada em casa:
Quando a criança não aceita comer o que há na mesa e faz birra Resorver isto parte de uma boa comunicação da criança com os pais. O problema é que os lados não estão falando a mesma linguagem e, geralmente, há grande manipulação por parte da criança.

Há, de fato, o risco de a criança ficar sem comer, enfraquecida, vir a adoecer, e ela sente e percebe a insegurança e receio da mãe quanto a isso. Se a mãe não conseguir traduzir este clima emocional, será uma guerra de foice, pois ambos tenderão a mostrar ao outro quem é o mais forte e, é claro, a criança poderá estar em situação de risco.

Nestes casos, é indicado que a mãe converse muito com a criança, respeite-a em seu gosto alimentar, faça junto com ela alguns cardápios e insista, sem forçar, para que o filho experimente a comida, mas tenha a liberdade de escolher o que quer comer, mas contanto que coma algum dos ingredientes servidos.

Choro de criança

Com o tempo, ele se sentindo respeitado como pessoa, sem ser forçado, sem sofrer violência (física ou psicológica), vai querer comer e passará a aceitar mais facilmente, em combinação com a mãe, o que quer que seja feito para se alimentarem.

Para que os filhos saibam reconhecer o valor material e o esforço dos pais para conquistá-las
Conversar sempre demonstrando sem cobrança o quanto é necessário para um adulto se esforçar para ter dinheiro; – Ajudar o filho a administrar sua mesada ( se a receber), deixando-o decidir pela forma que quer usá-la, mas também arcando com as consequências – quando a criança gastar tudo o que tiver. O adequado será que ela possa esperar e juntar o dinheiro todo novamente, aprendendo a esperar, a lidar com a frustração e reconhecer o amor dos pais por ele. – Não é saudável dar presentes para o filho o tempo todo.

É preciso que ele saiba a importância da economia regrada (e não exagerada), bem como a importância de os pais lhe pedirem opiniões sobre o que ele pensa que poderia ajudar para melhorar o orçamento da família.

Para que os filhos entendam o valor das amizades e a importância de compartilhar
Este é um valor que certamente começa em casa. Não é a mãe obrigando o filho a emprestar seu brinquedo favorito para o amiguinho que desenvolverá nele o sentimento de solidariedade ou de partilha. É natural que as crianças passem pela fase de não querer dividir nada do que é seu com nenhum amigo e, neste caso, é importante que a mãe e o pai respeitem e compreendam a posição e a emoção de seu filho e deixem que ele aprenda a lidar com as consequências de sua atitude.

Se os adultos estiverem emocionalmente bem, tranquilos e confiantes na educação que estão dando à criança, tudo não passará de mais uma fase conturbada e turbulenta, que quando acompanhada de perto pelos responsáveis pela criança, tende a se acalmar com o tempo.

Para evitar os ataques de choro e crises dos pequenos quando algo não sai como eles querem
Muitas vezes os ataques de choro e as crises não devem ser evitadas, justamente pela importância que a elas compete. Nenhum ser humano consegue tudo que quer na hora que quer e quando os pequenos percebem que eles também não são poderosos, – pois não só as coisas não são como querem como também não conseguem com que os pais atendam a seus desejos incondicionalmente – é o momento ideal para que devagar possam ir entrando em contato com a realidade e elaborar este sentimento de onipotência , tão natural e esperado nos filhos. É interessante salientar que, em geral, as crises de choro e de birra, muitas vezes, mais deixam os pais envergonhados – pela possível opinião dos outros (que nem se quer os conhece) de que não são bons pais, do que preocupados com a saúde emocional e mental ou desenvolvimento saudável do filho.

Fonte:  www.minhavida.com.br, publicado 24/07/2009. 

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Abuso da Criança e Negligência.

Um dos perigos mais terríveis da infância é a possibilidade de abuso físico, sexual ou psicológico. Ainda que nem sempre seja fácil definir o que se qualifica como abuso, a maioria dos psicólogos, hoje em dia, seguiria as definições propostas por Douglas Barnett e seu colegas: o abuso físico envolve a inflição acidental de ferimentos físicos à criança – qualquer ferimento, desde um hematoma a outros tão graves que exigem hospitalização ou causam morte da criança. O abuso sexual envolve qualquer tipo de contato sexual entre uma criança e adulto. A negligência física inclui tanto o fato de não cuidar adequadamente da criança em termos de nutrição e cuidados básicos quanto o fato de não oferecer uma supervisão adequada à idade da criança.

É extramente difícil determinar o quão comum é o abuso, embora todos os observadores concordem que ele é, de modo perturbador, comum em muitos países. A maioria das estimativas sugere que uma criança em cada 70 sofre abusos todos os anos. Desse número, quase a metade são casos de negligência física, um quarto são casos de abuso físico e um décimo envolve abuso sobretudo sexual. As crianças entre dois e nove anos são as maiores vítimas de abusos; os bebês são os que mais raramente sofrem abusos, mas são os que correm o maior risco de morrer devido ao abuso infligido. De todas essas crianças vitimadas, talvez um quarto ou um terço sofra de formas extremas de violência; as crianças restantes sofrem formas mais moderadas de abuso. (Emery e Laumann-Billings, 1996.)

Por que os pais abusam dos filhos? Não existe uma resposta fácil. Podemos identificar certos fatores de risco, mas o abuso normalmente não ocorre a menos que vários desses fatores de riscos aconteçam na mesma família ao mesmo tempo. Três elementos parecem ser a resposta.

Em primeiro lugar, está o papel de estresse dos pais no desencadeamento de atos de violência. O risco de abuso é maior em uma família que experiencia um estresse significativo, que pode decorrer de desemprego, pobreza, violência no bairro, falta de apoio social ou de uma criança especialmente difícil ou exigente. Sem dúvida, todos nós temos algum limiar de estresse além do qual é provável que percamos a paciência – reagindo com um ataque de raiva, com agressão ou, em alguns casos, com abuso a uma criança.

No entanto, o estresse sozinho, mesmo que muito grave, não é suficiente para tornar o abuso com certeza. Outro ingrediente chave é a habilidade dos pais em lidar com a criança e com os estresses de sua vida. Alguns pais que foram eles próprios abusados, simplesmente não conhecem outra maneira de lidar com a frustração ou com o estresse ou com a desobediência dos filhos a não ser atacando de alguma maneira. Outros são deprimidos ou incapazes de estabelecer com a criança o vínculo emocional que ajudaria a prevenir o abuso. A dependência de alcóol e de drogas também desempenham um papel significativo em muitos casos.

Um terceiro elemento chave é a falta de apoio social ou algum tipo de isolamento social. Quando vários desses ingredientes-chave se intersecionam – alto nível de estresse, falta de apoio pessoal, ausência de habilidades ou estratégias alternativas, e a incapacidade pessoal de lidar com forma adequada com o estresse – o abuso de uma criança ( ou do cônjugue) torna-se bastante provável.

As perspectivas a longo prazo para as crianças vitimadas não são nada boas, em especial para aquele grupo que foi maltratado mais frequente ou gravemente. As crianças que sofreram abuso físico apresentam probabilidade muito maior do que as não -abusadas de se tornarem agressivas ou delinquentes em idade escolar ou na adolescência e de serem violentadas quando adultas (incluindo comportamentos de estuprar namoradas ou abusar da esposa). Além disso, é muito mais provável que abusem de substâncias na adolescência e na idade adulta, tentem suicídio, tenham problemas emocionais, como ansiedade e depressão ou formas mais sérias de doença emocional, e apresentem QI mais baixo e piro desempenho escolar. Essas pessoas tem mais diculdade para estabelecer amizades íntimas na idade escolar e na adolescência.

As crianças sexualmente abusadas também apresentam uma grande variedade de perturbações, incluindo medos, problemas de comportamento, promiscuidade sexual ou agressões sexuais na adolescência e na idade adulta, baixa auto-estima e Transtorno de Estresse Pós-Traumático – um padrão de de perturbação que inclui flashbacks do evento traumático, pesadelos, um esforço constante para não pensar no evento traumático nem para lembrar dele e sinais de vigilância aumentada como hipervigilância, reações de susto exageradas, perturbações do sono e interferência na concentração e na atenção.

As crianças que sofreram algum tipo de abuso nem sempre apresentam todos esses sintomas, mas é muito provável que manifestem alguma forma de perturbação significativa. Quanto mais prolongado e mais grave o abuso, maior a probabilidade de problemas como esses.

O quadro não é totalmente sombrio. Algumas crianças abusadas são, embora nos surpreenda, resilientes, não apresentando nenhum sintoma mensurável. Outras mostram um declínio nos sintomas de angústia quando o abuso é interrompido, em especial se a mãe da criança foi apoiadora e protetora. No entanto, apesar dessas palavras de consolo, não podemos perder de vista o fato de que problemas a longo prazo são comuns entre as crianças que experienciam nesse grau de hostilidade ou agressão, nem o fato de que a nossa sociedade ainda não encontrou boas maneiras de reduzir a incidência de abuso.

Fonte:  BEE, Helen. A Criança em Desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 2003, pg. 153.

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Meu filho é mau-humorado: como mudar isso?

Fonte: Guia do Bebê

Seu filho que era um “doce” se transformou em uma criança bem chatinha. Imediatamente, surge aquela velha indagação: onde é que eu errei? Fique tranqüila, não é falta de carinho nem de atenção, esse mau-humor faz parte do desenvolvimento infantil.

As várias mudanças impostas pelo crescimento, pelo desenvolvimento da personalidade e pela conquista da independência são fatores para as crianças ficarem emburradas, entediadas, birrentas e negativas. “Toda mudança de fase desestabiliza a criança, seja aos 8 meses, aos 3 anos, aos 6 ou aos 12, porque ela entra em novo momento de conquistas”, relata a pedagoga Patrícia Victo.

Nos primeiros 3 anos de vida, a rebeldia é mais evidente, já que nesta fase a personalidade começa a ser definida e a criança ainda está voltada para si e para o seu prazer. Qualquer contrariação dos pais é motivo de frustração e, por não ter experiência e muito menos vocabulário para expressar o que sente, o choro, a birra, as manhas e as mordidas são as maneiras que utilizam para a manifestação.

Nesse caso, Patrícia Victo orienta. “Os pais devem dar atenção, porque a criança precisa de carinho para se sentir segura. Os acessos de mau humor são boas oportunidades para ensinar o filho a encontrar alternativas e superar frustrações. É cansativo, dá trabalho, mas faz parte da educação e do crescimento”.

A frustração é a palavra para traduzir o mau-humor do seu filho. Quando a frustração existe, a criança não consegue dizer que está triste, então, faz birra. O melhor a fazer é trocar a “brincadeira” proibida por outra novidade: trocar o giz e os rabiscos na parede por um instrumento musical. O mau-humor passa rapidinho.

Ajudar seu filho com todo esse sentimento novo é difícil, mas é o começo para que os pequenos aprendam sobre suas emoções e que as outras pessoas também passam por isso.

A fase entre os 5 e 7 anos é um outro período de mudança comportamental, chamada de “adolescência da primeira infância”. De acordo com a pedagoga, nesta fase há alterações físicas, psíquicas e sociais. Para completar, a criança enfrenta uma das principais barreiras (senão a maior!) rumo ao mundo adulto: ler e escrever. Tudo isso torna o humor da criança instável, que começa a questionar as regras, aprendendo que neste mundo precisa ter jogo de cintura.

A partir dos 8 anos, a rebeldia dos 3 anos volta à tona, mas os ataques de mau humor parecem mais intensos. A criança espera ter todas as respostas, todos os desejos atendidos, toda a atenção do mundo. Esse período costuma durar até o fim da puberdade.

Os pais precisam ter muita calma e paciência para ensinar, argumentar e perceber o que está ocorrendo. “Quando não há o que acalme seu filho, o melhor é impor limite dizendo para parar com o mau-humor” orienta a Patrícia Victo.

Se nada mudar o comportamento instável do seu filho, a conversa com um profissional especializado em desenvolvimento infantil pode ajudar. Mas é preciso cuidado, pois é comum dizer que a criança é hiperativa ou deprimida. Casos de mau-humor que levam à depressão são raros. Motivo de preocupação somente quando esse baixo-astral atrapalhe nas atividades que dão prazer a criança e isso se mantenha por pelo menos seis meses.

“O mau humor tem origem normalmente num estresse escolar, como dificuldade de aprendizado ou de relacionamento. A criança não consegue resolver o problema sozinha. É difícil ser adulto”, comenta a profissional.

Por: Bruno Thadeu

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